A atriz Carolina Froes, de 22 anos, fez um desabafo em sua conta no Facebook sobre o ataque
© Arquivo pessoal
JUSTIÇA VIOLÊNCIAHÁ 3 HORASPOR NOTÍCIAS AO MINUTO
Durante um bloco de carnaval em São Paulo, que aconteceu no último sábado (18), um caso de abuso, seguido de agressão física, foi registrado na folia pré-carnavalesca. A atriz Carolina Froes, de 22 anos, fez um desabafo em sua conta no Facebook sobre o ataque.
No momento da agressão, a vítima estava vendendo "geladinho". Após encerrar o trabalho de quatro horas, ela diz ter sido agredida com um soco no rosto por um homem alto e forte, que a abordou já desamarrando a parte de cima de seu biquíni.O momento mais angustiante, disse Carolina, além das agressões e abuso sofrido, era a reação das pessoas que passavam por perto. “Levantei e cinco pessoas me seguraram, mas ninguém segurou o cara. Eu estava com o peito de fora, foi uma situação muito humilhante. Na hora que ele saiu de lá, sorrindo, eu comecei a chorar sem parar e saí andando", detalhou a jovem para o protal Pragmatismo Político.Confira na íntegra o desabafo de Carolina, que já possui quase dez mil compartilhamentos e mais de 31 mil curtidas:
ABUSADA E AGREDIDA NO BLOCO CASA COMIGO
Sábado, 18/02, fui abusada e agredida por um homem no bloco Casa Comigo, na Faria Lima. Depois de três horas trabalhando embaixo de sol, minhas amigas e eu estávamos indo embora junto com uma multidão, quando ele, vindo por trás, puxa e tira a minha parte de cima da roupa. Virei já reagindo, socando o homem que tinha o dobro do meu tamanho. Ele riu. Comecei a gritar, “Tá maluco?”, “Ele tirou minha roupa”. Um espaço se abriu. Continuei reagindo e tentando segurar o cara. “Chama a polícia, ele tirou minha roupa”, também lembro de gritar.
Nisso ele me agarra pelo pescoço e me enforca enquanto eu tento chutar. Me levanta pelo pescoço, e então me joga no chão. Caí. Sem blusa e sem ajuda. Foi quando machuquei meu braço. Levantei ainda mais nervosa, gritando mais alto e preparada pra machucá-lo mais. No único momento em que realmente nos olhamos nos olhos, lembro de ver que o pescoço dele estava todo arranhado. Depois me disseram que o braço dele também sangrou. Minhas unhas estão todas quebradas, então provavelmente é verdade.
Quando levantei, cinco pessoas me seguraram. Ninguém segurou o agressor. Enquanto eu gritava pra me largarem, enquanto eu gritava pedindo pra que o segurassem, vi ele indo embora rindo. RINDO. Tive uma crise de choro sem fim e fui embora. Andei por uns 30 minutos sem fôlego, sem força, sem chão. Heiko foi a única pessoa que me ajudou, que tentou segurar o cara, que andou atrás de mim e me acompanhou. (Obrigada!) O resto das pessoas ao nosso redor, homens e mulheres, não fizeram nada além de assistir, além de gritar, além de abrir espaço pra eu apanhar, além de tentar me impedir de reagir. Meu braço vai desinchar, os hematomas vão sumir. Os arranhões na pele do agressor também. Mas eu nunca vou esquecer.
Depois do que aconteceu, senti vontade de sumir. Pensei em ficar em casa, não correr mais esse risco e me isolar. Mas a resposta é, deve ser, só pode ser exatamente o contrário. Eu amo o Carnaval. O que aconteceu comigo no sábado não é Carnaval. O que aconteceu comigo no sábado é abuso, é assédio, é agressão, é violência. É criminoso e doentio. O carnaval continua. Eu continuo no Carnaval. Eu continuo na rua e na vida. Essa é a minha resposta.
Se a presença de uma mulher precisa ser afrontada dessa forma, serei uma afronta ainda maior. Sou mulher. Estou viva. Reajo e existo. Esse texto é uma forma de dizer: você, mulher, não está sozinha. Por mais que possa se sentir. Estamos juntas. Esse texto é um pedido: se virem alguém sendo assediada, abusada e/ou agredida, ajude. Se você for assediada, abusada e/ou agredida, REAJA E DENUNCIE.
Por um carnaval e uma vida sem assédio, agressão e violência. Existo e respondo. Falo e compartilho. Não me calarei. NÓS POR NÓS! Cada dia mais e mais fortes.
21\02\2017:
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