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segunda-feira, 15 de abril de 2013

E os nomes



Como é o seu nome?
Fulano de tal.
Profissão?
Jornalista.
Endereço?
Digamos que eu tenha dito que moro na Boa Vista.
Tudo bem. E o CPF?
Depois de procurar rápido, disse:
Esqueci o cartão me não lembro do número.
Então, ele definiu:
“Nada feito”.
Mas não está no documento o meu nome e muito mais do que perguntou?
“Sim tudo escrito, contudo, o CPF é fundamental”, explicou ele.
Quase passo as mãos na cabeça pedindo:
“Minha Nossa Senhora do Rosário, me ajuda”.
Ele olhava para mim e terminou dizendo:
“O senhor tem apenas de voltar aqui outra vez, mas não esqueça o cartão do CPF”.
Tudo muito gentil e civilizado.
Senti a tentação de dizer:
“Olha, meu amigo, eu sou aquele jornalista... Posso até publicar uma nota na coluna fazendo elogios imensos” mas me contive, felizmente.
Sabe lá como ele poderia reagir...
Então, deixei o local lamentando, mas sabendo que seria indispensável voltar com todos os documentos e comprovantes que por acaso existiam.
E por que eu tenho este nome tão expressivo que inspira confiança?
Que importa o nome agora?
Somos números, vários.
A jornalista carioca Nina Chaves já publicou uma coluna mensal chamada apenas CPF, só para comentar a vida de algumas pessoas.
Enfim, sinal dos tempos.

Do meu caderno de notas
São tantos os que reclamam da solidão.
Alguns indevidamente porque devem ter vivido bons momentos no passado, grandes amores, muitos amigos, tantas festas.
E não olharam o relógio com o tempo passando.
Então chega a época da “solitude” que muitos já definiram como a sabedoria para viver consigo mesmo e suas lembranças.
Os ingleses, donos da belíssima palavra que é “solitude”, rival da terrível da nossa saudade, costumam falar no tempo de ficar aproveitando o calor da lareira e da poltrona.

*Textos extraídos do livro “Ao lado do Arcanjo” - Prosa Poética, de autoria de Alex, editado pela Intergraf em 2005

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