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sexta-feira, 5 de abril de 2013

Feliciano recebe "diploma" de Defensor dos Direitos Humanos na Bahia


Documento registra o nome do pastor como "Marcos" e nota no site apresenta diversos outros erros, embora entidade tenha "respaldo" da ONU


Nilton Villanova, especial para o Portal FolhaPE


De acordo com informações divulgadas pelo Estadão, o deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), recebeu, na noite desta quinta-feira (4), da "Federação Brasileira de Defesa dos Direitos Humanos" (FBDH), sediada em Salvador, um "diploma" no qual ele é intitulado "Defensor dos Direitos Humanos". A entidade é formada por representantes da sociedade civil e por líderes de diversas instituições religiosas. O documento, no qual o nome do deputado se encontra grafado de forma incorreta ("Marcos", e não "Marco", seu nome correto) apresenta CNPJ e um "reconhecimento" por parte do Ministério da Justiça, além de um "respaldo" da Organização das Nações Unidas.
Reprodução/Internet
Documento foi entregue por uma entidade que apresenta CNPJ e "reconhecimento do Ministério da Justiça"
Em seu twitter, o pastor declarou: "Fiquei emocionado ao ser homenageado pela Federação Brasileira de Defesa dos Direitos Humanos. A Deus toda glória!". Nesta sexta-feira (5) ele se defende formalmente diante do Supremo Tribunal Federal (STF) das diversas acusações de estelionato. O seu nome também está entre os assuntos mais comentados nas redes sociais por conta de declarações polêmicas, sobre as quais é acusado de racismo e homofobia. Dezenas de manifestações eclodiram e tomaram força por todo o país desde sua nomeação para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.
O presidente da "FBDH", Elizeu Rosa, declarou que o documento é entregue "a qualquer pessoa que desenvolva atividades sociais e tenha o nome aprovado pelos membros da federação", disse. De acordo com Elizeu, a "Federação" homenageia sete pessoas por ano e que, além do deputado Feliciano, seis ativistas de movimentos pró-LGBT na capital baiana também teriam sido contemplados.
Rosa ainda explicou que Feliciano recebeu a homenagem em razão de trabalhos sociais, como apoio e recuperação de usuários de drogas. Ainda de acordo com Elizeu Rosa, "O deputado deveria ter recebido o diploma há seis meses, mas sua agenda não permitiu, ele é ficha limpa e também desenvolve trabalhos sociais, motivos que levaram a Federação a prestar a homenagem", declarou.
A ONG Internacional "Conectas Direitos Humanos", informou que desconhece tal Federação (FDBH) e classificou a "homenagem" como um desrespeito aos direitos humanos, conforme declarou Lucia Nader, diretora executiva da organização. "O prêmio é uma afronta inaceitável aos milhares de brasileiros discriminados pelas declarações recorrentes do deputado Feliciano e a todos que lutam pelos direitos humanos no Brasil", disse a diretora-executiva da ONG.
Elizeu Rosa afirma que a federação é contrária às declarações recentes do deputado e que acompanhará sua atuação à frente da comissão. "Não concordamos de forma alguma com aquilo que ele disse. Se ele amanhã ficar contra homossexuais ou contra os negros, ficaremos contra ele. Se a Câmara julgá-lo por homofobia ou racismo, o diploma dele será cassado automaticamente", afirmou.
No site da suposta Federação, uma nota afirma que ainda é "muito 'sedo'" para julgar o trabalho de Feliciano, que pretende “colaborar na defesa das minorias, grupos 'vuneraveis' e na política de 'telerancia' religiosa” e considera sua eleição legítima, democrática e legal. "Acredito que 'deveria' dar oportunidade a ele, no mínimo de três meses. Acho que deveria deixar ele trabalhar. Todo mundo está sujeito a erro", declarou Rosa, que disse acreditar que Feliciano saberá separar sua posição religiosa dpolítica à frente da Comissão que preside.

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