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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Cinema » Serra Pelada estreia em 325 salas brasileiras

Longa-metragem dirigido pelo cineasta Heitor Dhalia, faz estreia nacional registrando a saga dos homens que tentaram a sorte no garimpo
Publicação: 18/10/2013 10:34 


Foto: Warner Bros./Divulgação
Foto: Warner Bros./Divulgação

A história do filme é direta. A fotografia, crua. As brigas, fatais. O sexo, bruto. Em um cenário áspero, marrom e regido pela lei do mais forte, os personagens dividem-se entre sonhos, ganância e status. Juliano (Juliano Cazaree) e Joaquim (Julio Andrade) são dois amigos de infância com personalidades opostas que, como mais de 100 mil, decidem tentar a sorte no garimpo. Joaquim deixa a mulher grávida. Juliano, apenas dívidas com um agiota, toma gosto por poder e sangue, entra no “esquema” e apaixona-se pela mulher do capitalista mais poderoso da região (Matheus Nachtergaele), vivida por Sophie Charlote.

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Serra Pelada piora as pessoas”, repete Joaquim. Dhalia tenta reproduzir a angústia da vida no limite, entre o risco de morrer em um desabamento e a ilusão de tornar-se milionário com uma pepita. “Acho que é um momento bem significativo da história do Brasil. Mas é um filme de ficção sobre personagens e a condição humana, sobre amizade”, acredita o diretor.

Também no interior, também no limite, está focado um projeto já em fase de pré-produção de Heitor Dhalia, sobre o cangaço. “Porque eu sou cangaceiro. É uma reinvenção do cangaço. Adoro esse assunto, que já nasceu comigo. Desde o Cheiro do ralo, falo que uma entidade se apossa de mim, uma cangaceira ninja”, brinca, deixando-se levar pelo sotaque quase imperceptível.

Mas, antes, deve dirigir algum filme internacional. “Tenho muito interesse em voltar (a Hollywood), mas em outras condições. Entrei sem controle nenhum, não escolhi equipe, não sabia. É um filme de produtor, uma experiência hollywoodiana clássica”, desabafa. “Eu não me arrependi, porque não há tempo para isso. Foi uma experiência pessoal muito boa. Aprendi muito tecnicamente”. Por enquanto, pelo tom empolgado, Serra Pelada já serviu para lavar a alma.

Assista ao trailer:



Entrevista >> Heitor Dhalia

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“Acho que o Brasil merece um filme assim”

Serra Pelada guarda muitos mitos?
História de garimpeiro é história de pescador. E aquele lugar foi mítico, uma grande aventura humana. Então os caras têm essas memórias de viver um grande momento histórico. E têm muitas histórias e muitas tragédias. É realmente incrível.

Você encontrou algum garimpeiro que está rico até hoje?
Não encontrei. As pessoas que ficaram mais ricas são as que têm as histórias mais trágicas. Bamburrar não é ficar rico. É experimentar a riqueza. Os caras torravam com puta, compravam carros, fretavam avião. Porque os caras estavam em cima do ouro. É como cassino. Há uma compulsão de gastar. Tem histórias de um cara que comprou fábrica da Coca-Cola, outro comprou fazendas, outro matou 60 pessoas.

Você pesquisou durante um ano. Quais histórias mais te impressionaram?

Uma coisa que não estava computada no começo foi o Trinta. Eu fiquei muito impressionado quando descobri aquela zona de prostituição a 30 km de Serra Pelada. Imagina você no meio da floresta, cercado de mato e, a 30 km, tinha vários puteiros. Foi uma grande descoberta. Eu não consegui acreditar que existia aquilo daquele jeito. A primeira coisa que ouvi quando cheguei em Marabá foi a história do “de dia 30, à noite 38”, porque a noite era de prestação de contas. Isso me impressionou bastante.

O filme já foi apontado como a maior esperança do cinema nacional em ter um blockbuster de ação em 2013. O que acha desse crédito?
O filme não é só de ação. Nem de gângster. A comparação com western norte-americano é coerente, apesar de ser diferente. É na Amazônia, brasileiro, com bregas. Tem o diálogo com filme de gângster mesmo, porque é sobre os criminosos que atuavam na Amazônia. E tem uma linha dramática também. Tem várias portas para o espectador. E histórico, épico, de gângster, de amigo. Aborda um tema muito popular. É o Brasil profundo, o garimpo, a terra sem lei, do tiro. Era até mais violência do que tem no filme. Estou muito feliz com o resultado. Acho que o Brasil merece um filme assim.

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