Portal na internet abrigará informações de crianças e adolescentes em 19 países
13/10/2013 09:36 - Renata Coutinho, Folha de Pernambuco
Wagner Ramos/Folha de Pernambuco

A ideia do site desaparecidos.org surgiu em 2011, durante uma reunião da Confederação Médica Latinoamericana e do Caribe, ocasião em que foram debatidas a situação de violência, abuso sexual e tráfico de pessoas. À época, começou a se delinear o projeto, que tinha como pilares dados do Ministério da Justiça, que seriam disponibilizados para as polícias Federal, Civil e Militar, Infraero e imprensa. Mas a proposta não andou. “O site do Ministério não é atualizado há dois anos”, reclamou o conselheiro e médico Ricardo Paiva.
O cadastro nacional tem, hoje, apenas 313 casos registrados. O número é irreal quando se observa o relatório da CPI de crianças desaparecidas, concluído em 2010, e que aponta 50 mil notificações por ano. Em Pernambuco, por exemplo, só estão cadastradas quatro crianças. Neste cenário de subnotificação, Paiva identificou a urgência da questão. “Com os relatórios descobrimos que a coisa era muito pior do que imaginávamos”, disparou. “Não vejo interesse do Governo Federal. Foi um trabalho legal, mas frustrante”, avaliou a relatora da CPI, a deputada federal Andreia Zito, sobre as recomendações que nunca foram cumpridas, a exemplo da popularização de delegacias especializadas.
Pernambuco tenta dar foco às investigações, coma Divisão de Desaparecidos do Departamento de Proteção à Criança e ao Adolescente, mas o problema de pessoal inviabiliza um trabalho eficaz. A divisão conta apenas com uma pessoa para gerenciar as cerca de 300 notificações anuais. No Estado, apesar das dificuldades, o percentual de reencontro é alto: 90%. O índice se deve, em grande parte, ao trabalho incansável de quem está na ponta do sofrimento: os próprios familiares.
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