Sem o apoio do grupo de Teresa Leitão e João da Costa, Diretório estadual da sigla aprova entrega de cargos na gestão de Eduardo e nas prefeituras do Recife e Paulista
Publicado em 21/10/2013, às 06h20

Pedro Eugênio (C) pedirá audiência com o governador para entregar cargos
Edmar Melo/JC Imagem
Com a aprovação unânime do campo majoritário do senador Humberto Costa e do deputado federal João Paulo e a abstenção do grupo comandado pela deputada estadual Teresa Leitão e o ex-prefeito João da Costa, o Diretório Estadual do PT decidiu, nesse domingo, entregar as secretarias e cargos ocupados no governo Eduardo Campos (PSB) e nas Prefeituras do Recife e de Paulista, onde os socialistas Geraldo Julio e Júnior Matuto se opuseram e derrotaram os candidatos petistas nas eleições de 2012.
A medida é um revide à iniciativa do PSB de sair do governo Dilma Rousseff, tomada há 30 dias, afastando-se do PT para concretizar o projeto presidencial socialista de Eduardo, e ao que os petistas chamam de “hostilidades” ao PT e à presidente da República. O presidente estadual, Pedro Eugênio, anunciou que pedirá audiência nesta segunda-feira, ao governador, para comunicar oficialmente “o desembarque” do partido do governo estadual.
A cúpula majoritária do PT evitou, porém, definir a saída como um “rompimento”, mas adiantou que será recomendada à bancada do PT na Assembleia Legislativa uma postura “mais crítica” em relação ao governo. “Perguntem primeiro ao PSB. Nem eles declararam (a Dilma) que era um rompimento”, transferiu Eugênio a indagação.
A decisão de sair dos cargos no Estado, Recife e em Paulista não vale, no entanto, para os demais municípios onde PT e PSB são aliados, com prefeito e vice. O Diretório resolveu que, onde o PT participa das gestões do PSB, será pedida às direções municipais a análise de conjuntura, cabendo a deliberação final sobre permanecer ou sair à Executiva estadual.
O presidente petista afirmou que a entrega dos cargos deve ser imediata, todavia observou que, em situações específicas, será preciso tempo para repassar projetos em andamento. “Não é só uma entrega cargos. É também uma posição política. No governo federal, há cargos que o PSB ainda não entregou”, lembrou.
Com a decisão, todos os indicados pelo PT nos governos do Estado, Recife e Paulista estão obrigados a deixar os cargos, sob pena de serem submetidos ao estatuto partidário por indisciplina, que prevê até expulsão, caso não seja cumprida a resolução.
O presidente petista avisou que que a Executiva vai acompanhar o processo de entrega dos cargos e que não será admitida a permanência de representante de qualquer corrente partidária, mesmo que seja do grupo adversário (o de Teresa Leitão, candidata a presidente no PED de novembro, e João da Costa).
Eugênio assegurou que o diretório tem força suficiente para fazer cumprir a decisão e punir quem descumpri-la. “A data de entrega é imediata. Não se vai largar o cargo, mas devolver. Vamos estar atentos a quem precisa de tempo administrativo para devolver e a quem estiver resistindo a entregar”, disse.
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