A implementação de mudanças nas regras eleitorais não têm resultado, ao longo da última década, na melhoria das eleições. A última, aprovada ontem (23) na Câmara Federal, por exemplo, não traz nenhuma modificação que possa gerar no imaginário popular um indicativo de evolução. O seu ponto mais polêmico, o do fim da “ridicularização” de adversário, nada mais é do que uma censura prévia à crítica bem-humorada. Uma iniciativa que tornará a disputa eleitoral em algo ainda mais chato para a maioria dos brasileiros.
O debate sempre permitiu que os lados antagônicos num eleição discutissem as fragilidades que enxergavam nos adversários. Essa ferramenta, quando bem utilizada, inclusive, ajuda a enriquecer o debate. Assistimos a muitos candidatos criados por marqueteiros que apresentam biografias impecáveis e com relatos em participações decisivas em ações que melhoraram a vida da população.
Esse tipo de construção não pode ser combatida apenas com a afirmativa de que o propalado é uma mentira, é algo que não procede. Esse tipo de rebate é agressivo e pode parecer um ataque pessoal. Com a utilização do humor, a desconstrução de criaturas eleitorais se dá de forma mais leve e pode levar o eleitor a refletir sobre o assunto, a questionar.
Claro que vale a ressalva que, nem sempre, o humor é usado com este fim. Muitos postulantes partem para o ataque sorrateiro. No entanto, o usuário desse expediente acaba se tornando alvo de sua ação. O eleitor mais consciente vai desprezar a crítica infundada e, sobretudo a de baixo calão.
Também vale lembrar que a minirreforma anterior acabou com a propaganda eleitoral em outdoors, mas permitiu a utilização dos famigerados cavaletes. Um erro que custou a ocupação de nossas ruas com material publicitário que atrapalha até o deslocamento de pedestres nas calçadas. Além, claro, de ser feio para burro.
Enquanto minirreformas como essa seguem como protagonistas no Congresso, a implementação de uma verdadeira Reforma política vai ficando cada vez mais distante.