Pedro Eugênio considera "deplorável e pouca amistosa" a ação do PSB de Eduardo para atrair quadros de partidos aliados
Publicado em 04/10/2013, às 06h30

Presidente do PT estadual, Pedro Eugênio, se diz surpreso com saída de Isaltino Nascimento para o PSB
Igo Bione/JC Imagem
O presidente estadual do PT, o deputado federal Pedro Eugênio, abandonou ontem a postura de cautela e endureceu a crítica ao PSB do governador Eduardo Campos, diante do “agitado” troca-troca partidário dos últimos dias. “O PSB tem trabalhado a retirada de quadros políticos nossos. É um assédio deplorável, uma atitude pouco amistosa, não é próprio de aliado”, atacou. A declaração acontece no momento em que o “petista histórico”, deputado estadual licenciado e atual secretário de Transportes, Isaltino Nascimento, deixa o partido por estímulo do governador socialista.
A troca de partido nos últimos dias para o fim do prazo de filiação, que termina amanhã (5), faz parte da estratégia para fortalecer os palanques para 2014. Com a possibilidade de o governador Eduardo Campos alçar voo solo rumo à Presidência da República, o PTB do senador Armando Monteiro Neto, que pretende disputar o governo do Estado, se aproximou ainda mais do PT. Diante dessa movimentação, o PSB tem agido para minar o poder de fogo dos dois partidos e, além de dois petistas (os deputados estaduais Isaltino e André Campos), já atraiu para suas fileiras três petebistas, sendo dois com mandato – os deputados Clodoaldo Magalhães e Marcantônio Dourado e Bruno Rodrigues. Assim como Eugênio, Armando também atacou. Disse que “estranhava” a movimentação do PSB e que faltava “espírito de aliança”.
Ao JC, Pedro Eugênio confirmou que Isaltino o procurou apenas para informar da decisão. “Não houve debate, nada. Foi uma conversa curta, resumida”, frisou. Ele disse que não esperava receber essa notícia e que “deve ter acontecido do final de semana para cá”. Pudera. Na semana passada, em evento do PT, o secretário estadual de Transportes, questionado sobre a possível saída, metaforizou que seria “mais fácil o rio Capibaribe chegar ao Sertão do que sair do PT”.
Isaltino contou a Eugênio que estava a caminho do ninho socialista. “Disse que ia para o PSB. Não sei se mudou”. Porém, segundo os bastidores, ele estaria considerando se filiar ao PCdoB para não chocar com o seu eleitorado, que cresceu no seio petista. Comenta-se que o governador ofereceu a Isaltino – que quer sair candidato a deputado federal em 2014 – parte dos votos do espólio deixado pela sua mãe, Ana Arraes, quando deixou a Câmara Federal para ser ministra do Tribunal de Contas da União.
Surpreso com a decisão do antigo correligionário, Pedro Eugênio comentou ainda que achava que “não tem uma justificativa” para a mudança partidária. “Recebemos Odacy (Amorim, ex-PSB e atual PT), mas ele já externava insatisfações, agora não tem uma justificativa”, disse. Ao longo da semana, especulou-se que os deputados Sérgio Leite e Odacy Amorim também iriam trilhar o mesmo caminho. Mas a desfiliação do PT foi categoricamente negada por eles.
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