O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, determinou nesta terça-feira a anulação do projeto do Ministério da Habitação para licitar a construção de 20 mil residências
AFP - Agence France-Presse
Publicação: 12/11/2013 23:52
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| Crianças palestinas brincam durante apagão de energia em Beit Lahia, norte da Faixa de Gaza, em 12 de novembro de 2013 Foto: AFP/Arquivos MAHMUD HAMS |
"O premier ordenou ao ministro da Habitação, Uri Ariel, reconsiderar todas as medidas relacionadas ao planejamento (dessas habitações), tomadas sem coordenação prévia", informou o gabinete de Netanyahu.
"Essa iniciativa não contribui para a colonização, pelo contrário, a prejudica. Trata-se de um gesto inútil - legalmente e na prática - e de uma ação que provoca uma confrontação desnecessária com a comunidade internacional, no momento em que nos esforçamos para convencer os membros desta mesma comunidade a obter um acordo melhor com o Irã", disse Netanyahu, criticando o ministro da Habitação, membro do partido de extrema direita Lar Judeu.
Ariel aceitou o pedido do primeiro-ministro, segundo o comunicado.
O presidente palestino, Mahmud Abbas, havia advertido na noite desta terça-feira que "o processo de paz acabaria", caso Israel não recuasse em sua decisão, segundo o negociador Saeb Erakat.
Erakat declarou à AFP que Abbas lhe encarregou de informar ao Quarteto para o Oriente Médio e à Liga Árabe que "se Israel não recuasse de sua decisão de construir nas colônias, isso significaria o fim do processo de paz".
Os Estados Unidos também manifestaram a sua oposição.
"Estamos profundamente preocupados (...) Ficamos surpresos com este anúncio e estamos buscando explicações do governo israelense", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Jennifer Psaki.
O secretário de Estado americano, John Kerry, telefonou na noite desta terça para o líder palestino, de acordo com uma fonte palestina.
A ONG anti-colonização Paz Agora havia anunciado antes que "o Ministério da Habitação havia lançado um número recorde de ofertas para o planejamento de 20 mil casas nas colônias da Cisjordânia".
Esse anúncio acontece no momento em que Israel e Estados Unidos adotam posturas contrárias em relação à questão nuclear iraniana, com os israelenses acusando os americanos de querer concluir a todo custo um "acordo ruim" com Teerã.
O ministro israelense da Energia, Sylvan Shalom, havia confirmado à rádio militar os projetos israelenses: "Não há por que criar toda uma história. Nós construiremos em Judeia-Samaria (Cisjordânia) e continuaremos a fazê-lo. É a política declarada do governo e do Likud", partido de direita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Netanyahu já havia bloqueado a construção de 1.200 residências - das 20.000 programadas - no polêmico setor de E1, que liga Jerusalém Oriental à Cisjordânia.
A comunidade internacional, em particular os Estados Unidos, condenou com firmeza o projeto E1, que dividirá a Cisjordânia em duas, comprometendo a viabilidade de um Estado palestino.
Em recente viagem ao Oriente Médio - para tentar relançar, aparentemente em vão, as negociações entre israelenses e palestinos - John Kerry lembrou que os Estados Unidos consideram a colonização judaica "ilegítima".
Kerry rejeitou as declarações de autoridades israelenses segundo as quais palestinos e Estados Unidos haviam aceitado tacitamente a continuidade dos projetos de colonização em troca da libertação de prisioneiros palestinos.
Em julho, Mahmud Abbas se comprometeu a suspender qualquer iniciativa palestina de adesão às organizações internacionais, incluindo as instâncias judiciais capazes de julgar Israel, durante os nove meses de duração das negociações de paz.

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