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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

ENTREVISTA "Armando está sendo açodado", dispara Bezerra Coelho

Ex-ministro da Integração Nacional abre um novo ciclo político na tentativa de viabilizar-se como candidato a governador pelo PSB

Publicado em 04/10/2013, às 01h30

Bezerra Coelho vai rodar o Estado na articulação para 2014 / Clemilson Campos/JC Imagem

Bezerra Coelho vai rodar o Estado na articulação para 2014

Clemilson Campos/JC Imagem

Com milhões destinados a obras em Pernambuco durante sua gestão no Ministério da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho (PSB) começará a andar por todo o Estado para tentar viabilizar sua candidatura a governador. Como trunfo, terá um material impresso que o PSB vai produzir com a “folha de serviços” prestados ao Estado. Bezerra Coelho volta ao cenário com disposição para a briga pela benção do governador Eduardo Campos na sucessão estadual. "Vejo com naturalidade Armando se movimentar. Mas se ele quer construir dentro da Frente Popular sua postulação, tem que ter paciência. Agora, se quer construir fora, pode fazer o tempo dele”, disparou, nesta entrevista ao JC, sobre o senador petebista.

JORNAL DO COMMERCIO - De que maneira, sem o Ministério, o senhor espera se viabilizar diante de tantos pré-candidatos ao governo?
FERNANDO BEZERRA COELHO - Vou voltar a me movimentar a partir do espaço nacional que terei na executiva do PSB. Fizemos um balanço das ações e definimos que o partido vai imprimir um encarte para distribuir pelo Estado. Então, a partir desse material vamos nos mexer em nível estadual e federal. Andar no Estado para falar do que fizemos, do que Eduardo vem fazendo e falar do futuro que Pernambuco tem ainda para construir.

JC - Como o senhor avalia a movimentação do senador Armando Monteiro (PTB)?
BEZERRA COELHO  - Ele deveria ter um pouco mais de paciência e de compreensão com o tempo do PSB. Posso falar muito à vontade porque em 2010 me coloquei como candidato ao Senado e, naquele momento, a minha postulação foi preterida porque a leitura foi a de que era importante - naquele momento - formar um palanque amplo com outras forças políticas. Agora, fruto da gestão que Eduardo faz, se discute a possibilidade de um projeto presidencial. Era pelo menos de se esperar que um parceiro de uma frente política tivesse mais compreensão em relação ao tempo de quem lidera esta frente. Não é todo dia que um quadro da política de Pernambuco tem a perspectiva de se firmar como candidato a presidente. Acho que existe um certo açodamento e uma certa precipitação em querer antecipar a discussão da sucessão estadual. O governador tem dado demonstrações de largueza política. Em 2010 e 2012, quando o PSB não teve posição de hegemonismo na aliança, retirando o episódio do Recife que se explica por erros do PT e acertos do PSB, houve respeito às candidaturas dos partidos da Frente. Existe precipitação. Vejo com naturalidade Armando se movimentar na perspectiva de querer construir a sua candidatura, mas se ele quer construir dentro da Frente Popular, ele tem que aguardar e ter paciência. Agora, se ele quer construir fora, aí ele pode fazer o tempo dele.
JC - O senhor fez defesas enfáticas da manutenção da aliança do PT com o PSB. Mas também foi a sua fala, na reunião da executiva do PSB, que selou a decisão do partido de deixar o governo federal. Qual de fato é a sua posição?
BEZERRA COELHO - A discussão sobre a candidatura de Eduardo a presidente da República foi colocada de forma, digamos assim, formal. Foi apresentada ao partido em dezembro do ano passado. Quando eu tive a primeira conversa com ele sobre a possibilidade dessa candidatura, disse que tínhamos que ter duas providências. A primeira era informar a presidente (Dilma) de que existiria essa possibilidade, porque se ela não recebesse bem seria o caso da gente sair do governo imediatamente. Não tinha como ser ministro dela e estar alimentando a possibilidade de uma candidatura a presidente. Aí, Eduardo me autorizou a procurar a presidente. E eu procurei a presidente, falei que não era uma decisão tomada, mas que a animação do partido (PSB) era muito grande, especialmente depois das sucessivas vitórias que o partido havia colhido em 2010 e 2012, e o próprio Eduardo estava animado com a perspectiva dessa candidatura. E que eu achava que ela deveria se aproximar mais dele, criar laços de aproximação. E ela me dizia que tinha um respeito e um reconhecimento pelo papel que Eduardo tinha na política nacional, como também era reconhecedora do gesto do PSB na própria construção da candidatura dela, que foi a retirada de Ciro Gomes (em 2010).

JC - Como ficou a relação depois desse primeiro alerta?
BEZERRA COELHO - Em janeiro e fevereiro Eduardo teve, acho, umas duas conversas com a presidente em que essas coisas foram comunicadas e ela, digamos, entendeu que era uma coisa natural. Depois do Carnaval, Eduardo intensificou as reuniões para buscar a viabilização de sua candidatura. E eu então coloquei para ele de que eu entendia que essa candidatura não deveria ser colocada naquele momento. O terceiro ano da administração dos governadores, nós tínhamos eleito mais de 400 prefeitos, então, uma candidatura presidencial colocada no início da gestão de 400 prefeitos e no terceiro ano de governadores do partido poderia criar dificuldades. Então ele disse que respeitava a minha posição e que eu poderia defender a posição da manutenção da aliança. Porque ele queria fazer um debate no partido para poder ver qual era a posição do partido. Então, quando eu me manifestei favoravelmente à aliança com a presidente, fiz isso por uma avaliação política buscando interpretar o sentimento médio do partido. Aí foi nesse período que você me vê em diversos eventos com a presidente, em diversos programas de rádio, em jornal. E que a imprensa então chegou até a especular que eu sairia do PSB, mas em momento nenhum a gente deixou de externar internamente a nossa visão desse processo. Em junho, Eduardo me chamou para uma conversa para comunicar que ele já tinha recolhido muitas informações e que acreditava que a posição da candidatura própria ia ser a majoritária, dominante no partido.

JC - Esse comunicado ocorreu a época das manifestações nas ruas?
BEZERRA COELHO - Tínhamos acabado de ver as manifestações. Eduardo pensava diferente, por exemplo, do pessoal (socialistas) do Ceará, que fizeram parte de uma reunião aqui (no Recife) e quiseram entregar os cargos no final de junho e início de julho. No meio da confusão. E que ele não faria isso porque ali era o momento de reafirmar a solidariedade ao governo e que, portanto, quando passasse o momento mais crítico da governabilidade, em meados de agosto, seria o momento de o PSB tomar a decisão de sair do governo. Ele até, ele pessoalmente, imaginava que isso pudesse ser feito no final do ano. Não era uma coisa pensada sair em setembro, ele pensava que isso poderia ser feito no final do ano. Tanto não era que eu tinha me programado para um recesso meu, pessoal. Não foi uma coisa planejada, mas nas conversas com a área política do governo já havíamos sinalizado que estava avançando a orientação pela viabilização da candidatura e que iria chegar o momento de se afastar.

JC - Então, o que precipitou o afastamento?
BEZERRA COELHO - Logo após o feriado do 7 de Setembro, começaram a sair muitas notas na imprensa nacional de que o governo ou o PT iriam fazer o desembarque do PSB. E a nota mais forte foi numa sexta-feira. Eu estava indo para São Paulo, já para a minha licença, e saiu uma reportagem muito forte, descortês, no (jornal) O Estado de S. Paulo, de que sairíamos e já até indicava o novo ministro. Foi aí que peguei o telefone e liguei para (Aloísio) Mercadante (ministro da Educação) e disse: ‘Olha, Mercadante, está ficando insuportável. Se vocês acham que não dá para conciliar o trabalho que Eduardo vem fazendo para viabilizar a candidatura dele com a nossa presença no governo, pega esse telefone, liga para Eduardo, conversa com ele. A gente está muito à vontade para sair. Mas se é para ficar, precisamos ter a confiança do governo. Não podemos trabalhar numa pasta como essa sem saber se temos o respaldo do governo’. Aí a coisa ganhou velocidade porque, ao invés de Mercadante se mexer, no mesmo dia teve uma reunião na Granja do Torto. Participaram Rui Falcão (presidente nacional do PT), o (ex) presidente Lula, Dilma, Mercadante, Franklin Martins e até João Santana. A gente sabe quem participou e, dessa avaliação, atribuem a Rui Falcão uma declaração de que o PSB vai ser desembarcado do governo. Então, isso motivou a minha fala na reunião da executiva. Eu liguei para Eduardo, ele estava indo para Brasília, e disse que havia chegado a hora de sair. Para mim, era sintomático. Se Mercadante não procurou ele, se não me procurou, se teve essa reunião e a coisa ficou no ar, não dá para continuar. Aí Eduardo decidiu convocar a reunião da executiva e eu cancelei meus procedimentos e fui para Brasília, porque eu queria dar um testemunho. A minha fala na reunião da executiva não foi uma fala dura, até porque reiterei que o melhor caminho era a manutenção da aliança, mas entendia que não estava havendo ambiente para permanência no governo. Era melhor, pela relação construída com Lula, Dilma e o PT – que vem de 1989 –, era importante tomarmos a iniciativa de se antecipar. Era melhor. E já existiam setores que queriam a entrega imediata (dos cargos). O pessoal de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Brasília. A minha fala na reunião terminou produzindo a unanimidade. Os setores que viam que mesmo com a minha posição de defesa da aliança, eu dizia que o momento era de sair até para preservar as relações... foi aí que, de forma tranquila, se decidiu pela saída. Só a secção do Ceará se posicionou contra, mas concordando com a nota, achando apenas que o ‘timing’ não era correto, que deveria ser dezembro.

JC - Como foi a formalização da saída?
BEZERRA COELHO - Quando o partido toma a decisão, Eduardo vai na quarta entregar a carta à presidente (Dilma) e eu vou na quinta. Quando cheguei, lá senti ela visivelmente contrariada. Aí, ela chega e diz: ‘Mas Fernando, eu não imaginava que a situação estava nesse nível. Sabia que tem setores do nosso partido que defendiam a saída do PSB. Sei que tem setores do PSB que também estavam defendendo a saída, mas não sabia que estava a ponto de uma decisão’. E eu disse a ela que tinha ligado para Mercadante.

JC - Foi o senhor que mediou a conversa do governador Eduardo Campos com o governador Cid Gomes (Ceará), em que este recebeu um ultimato para definir sua vida partidária?
BEZERRA COELHO - É até um ponto que eu queria esclarecer. Trabalhei muito para viabilizar esse encontro, tenho uma relação de amizade com Cid Gomes, que começou quando ele era prefeito de Sobral e eu, de Petrolina. Um encontro para evoluirmos para uma decisão equilibrada e serena, seja de ficar ou não no PSB. Participei da conversa. Foi uma conversa muito elevada. Cid falou que tinha um compromisso de apoiar Dilma. Eduardo disse que não tinha ainda uma decisão formal tomada sobre a candidatura dele, que deveria ser tomada no primeiro trimestre do próximo ano, mas que se fosse para tomar naquele momento, ele tomaria a favor da candidatura. Isso no sentido de facilitar uma posição que ele, Cid, pudesse tomar. Eduardo falou que não era interessante ter movimentos dissidentes dentro do partido porque uma candidatura presidencial precisava da unidade do partido para fazer uma série de tarefas externas e internas. Cid entendeu. E perguntou sobre cenários. Quem Eduardo apoiaria num 2º turno, e Eduardo disse que estaria no segundo turno. Foi como respondeu. E ainda disse que, na eventualidade de não estar no segundo turno, a executiva do PSB se reúne e decide à luz do quadro político. Foi isso que se deu na reunião. Depois que Cid teve aqui e toda essa zoada que Ciro vem fazendo pelos jornais, eu acho que é mais para o público interno deles no Ceará do que, de fato, uma coisa que possa traduzir os fatos que desencadearam a saída deles do partido.

JC - Como vai se pautar as relações entre os dois partidos agora?
BEZERRA COELHO - Disse à presidente Dilma que Ciro Gomes foi candidato até abril de 2010 e, na política, Eduardo retirou a candidatura de Ciro para apoiar ela. Não ter compreensão que Eduardo não possa se movimentar para trabalhar uma candidatura é falta de tato. É legítimo buscarmos essa candidatura. O partido realmente cresceu, o partido está com espaço na política brasileira. O governador está animado para construir. Agora, não dá para antecipar o que vai ser. Defendia, quando estava no governo, tratar Eduardo como aliado. E não já ficar colocando como adversário, que mudou de campo, como está acontecendo hoje, porque isso não traduz a história do PSB e nem a história de Eduardo. Isso é um equívoco. No momento em que tenta fazer alianças para viabilizar a candidatura está mudando de lado? E as diversas alianças que o PT fez nos Estados? Ele mudou de lado? Querer imputar ou passar essa pecha ao PSB não pega. Não pega pela história do PSB e pelas atitudes de correção e compromisso de defender o projeto que mudou o Brasil.

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