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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Projeto que cria vagão exclusivo para mulheres divide opinião de usuários do metrô

Iniciativa pretende evitar abusos contra as mulheres em situações de superlotação


23/10/2013 21:01 - Nilton Vilanova, especial para o FolhaPE

Um polêmico projeto de lei proposto pelo deputado Eduardo Porto (PSDB) que prevê a destinação de um vagão de cada composição do metrô exclusivamente para as mulheres, mal foi apresentado e já divide a opinião dos usuários. Ouvidos pela reportagem do portal FolhaPE no início da noite desta quarta (22), os passageiros deram suas opiniões sobre a iniciativa.
    Para o servidor público e geólogo Flávio, a medida só justifica cada dia mais a violência cometida contra a mulher. “Eu já escutei depoimentos de outras mulheres que escutaram de outras pessoas: ‘ah, não reclamem agora que tem um vagão exclusivo para mulheres se você for violentada num vagão misto'. Isso é ignorância da nossa sociedade, mas que tem também que passar por uma educação básica para que o direito, especialmente da mulher, possa ser respeitado”, destacou.
    Vagão exclusivo para mulheres divide opinião dos usuários
    A técnica em processamento de dados Elisa também é contra o vagão exclusivo. “Eu acho a medida desnecessária. A mulher precisa ser respeitada onde quer que ela esteja. Ela não vai ser respeitada só por causa disso, não é preciso criar um vagão para respeitar as mulheres", disse.
    A atendente de telemarketing Paloma, por sua vez, apoia a criação do vagão exclusivo. “Sou a favor porque evitaria coisas como abusos, constrangimentos, entre outros. Seria uma melhoria para nós, mulheres”, ressaltou.
    A pedagoga Rosa também acha a ideia positiva. “É uma ideia boa, pois quando está superlotado, realmente, há um certo abuso”, frisou.
    De acordo com o PL, exposto pelo tucano nesta terça-feira (22), as empresas que administram o sistema ferroviário e metroviário no Estado ficam obrigadas a destinarem vagões exclusivamente para mulheres nos horários de pico matutino (entre 6h e 9h) e vespertino (17h e 20h), exceto aos sábados, domingos e feriados.
    Segundo o deputado, o projeto de lei atende anseios da população. “O que propomos é fruto do que ouvimos, de uma triste realidade que acontece diante de nossos olhos. Estudei a implantação deste modelo nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, onde os casos de assédio nos metrôs diminuíram bastante com os vagões exclusivos para mulheres”, declarou.
    Na justificativa anexa ao PL, o tucano reforça o argumento. “Este projeto de lei tem como objetivo coibir a ação de alguns homens que se aproveitam da superlotação dos vagões para bolinar as mulheres, e dar opção às mulheres de viajar nos vagões exclusivos. Não são raras as histórias sobre esses abusos sofridos por mulheres durante as viagens nas composições lotadas”.
    A CBTU, por sua vez, comunicou que não se pronunciará sobre o projeto de lei até que sejam feitas avaliações mais detalhadas sobre os prós e contras do projeto.
    A iniciativa será votada pela Alepe e, caso seja aprovada, segue para as mãos do governador do Estado. Se sancionada, após a assinatura de Eduardo Campos, a CBTU terá até 30 dias para se adequar à nova lei.

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