Publicação: 14/11/2013 23:41
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| Em viagem à China, Alexina Lins tomou chá com Mao Tsé-Tung. Foto: ArquivoPessoal/AlexinaCrespo |
Morreu na tarde dessa quinta-feira (14), de insuficiência respiratória, Alexina Lins Crêspo de Paula, 87 anos, ex-mulher do advogado militante Francisco de Paula Julião. A relevância histórica de Alexina Crêspo está no registro de lutas sociais do estado e do país, e no contato com grandes lideranças políticas de esquerda, entre Che Guevara, Mao Tsé Tung e Fidel Castro.
"Alexina participou ativamente das Ligas Camponesas de Pernambuco entre 1955 e 1964 que se espalharam para todo o Brasil. Quando a conheci, eu era pouco mais que uma adolescente de 19 anos e não tinha a dimensão de quem ela era. Ao conhecer, fiquei impressionada como uma mulher daquela estatura não era conhecida pelos brasileiros", afirma a jornalista Stella Maris Saldanha, diretora do documentário Alexina – memórias do exílio, exibido em maio do ano passado.
Junto com o jornalista Claudio Bezerra, Stella contou a trajetória da vida da militante. Na tela, a figura de Alexina Lins é a de uma mulher que sonhou com o fim das injustiças no campo, mobilizou, resistiu e acabou obrigada a deixar o país para escapar da prisão. De Cuba para o mundo, conheceu personagens que se tornaram ícones mundiais do pensamento de esquerda. “Ela tinha uma dedicação apaixonada pela causa dos camponeses e pelas transformações sociais, mas morreu sem ver o sonho realizado”, acrescentou Stella.
Segundo a jornalista, esse momento da vida de Alexina é marcado por uma carta que a militante fez, aos 84 anos, para Fidel Castro. Na carta, ela falava do grande amor que tinha pela vida e da frustração por não ter conseguido realizar a revolução pela qual se dedicou a vida inteira. “Alexina teve treinamento de guerrilha em Cuba, aprendeu a montar e desmontar armas. Virou uma espécie de ‘relações internacionais das ligas’. Viajou a vários países, como a China, onde tomou chá com Mao Tsé Tung”, conta Stella Maris, que a conheceu no Teatro Hermilo Borba Filho, quando Alexina voltou do exílio.
Além da luta pela causa camponesa, Alexina tinha um imenso amor pelo teatro. “Essa é uma coisa que quase ninguém sabe. Ela guardou com muito cuidado”, completou a jornalista. O velório será realizado nesta sexta-feira (15), das 8h às 12h, no cemitério Morada da Paz, em Paulista. Segundo o desejo de Alexina, o corpo dela vai ser cremado e as cinzas jogadas ao mar.
Recordações de Alexina com Mao Tsé Tung e Fidel Castro
"Mao Tsé-Tung tinha uma gentileza e leveza extremamente orientais, uma maneira calma de falar as coisas, mesmo elas sendo muito sérias. As expressões não mudavam e ele tinha sempre um sorriso no rosto”
“Fidel é o oposto de Mao. As conversas sérias eram tratadas de forma bem informal. Muitas vezes as crianças estavam presentes, então era tudo bem leve. Fidel é um grande amigo. Na época em que as crianças moravam lá, ele foi um pai para eles. Ele tem um jeito latino, bem nosso "
"Alexina participou ativamente das Ligas Camponesas de Pernambuco entre 1955 e 1964 que se espalharam para todo o Brasil. Quando a conheci, eu era pouco mais que uma adolescente de 19 anos e não tinha a dimensão de quem ela era. Ao conhecer, fiquei impressionada como uma mulher daquela estatura não era conhecida pelos brasileiros", afirma a jornalista Stella Maris Saldanha, diretora do documentário Alexina – memórias do exílio, exibido em maio do ano passado.
Junto com o jornalista Claudio Bezerra, Stella contou a trajetória da vida da militante. Na tela, a figura de Alexina Lins é a de uma mulher que sonhou com o fim das injustiças no campo, mobilizou, resistiu e acabou obrigada a deixar o país para escapar da prisão. De Cuba para o mundo, conheceu personagens que se tornaram ícones mundiais do pensamento de esquerda. “Ela tinha uma dedicação apaixonada pela causa dos camponeses e pelas transformações sociais, mas morreu sem ver o sonho realizado”, acrescentou Stella.
Segundo a jornalista, esse momento da vida de Alexina é marcado por uma carta que a militante fez, aos 84 anos, para Fidel Castro. Na carta, ela falava do grande amor que tinha pela vida e da frustração por não ter conseguido realizar a revolução pela qual se dedicou a vida inteira. “Alexina teve treinamento de guerrilha em Cuba, aprendeu a montar e desmontar armas. Virou uma espécie de ‘relações internacionais das ligas’. Viajou a vários países, como a China, onde tomou chá com Mao Tsé Tung”, conta Stella Maris, que a conheceu no Teatro Hermilo Borba Filho, quando Alexina voltou do exílio.
Além da luta pela causa camponesa, Alexina tinha um imenso amor pelo teatro. “Essa é uma coisa que quase ninguém sabe. Ela guardou com muito cuidado”, completou a jornalista. O velório será realizado nesta sexta-feira (15), das 8h às 12h, no cemitério Morada da Paz, em Paulista. Segundo o desejo de Alexina, o corpo dela vai ser cremado e as cinzas jogadas ao mar.
Recordações de Alexina com Mao Tsé Tung e Fidel Castro
"Mao Tsé-Tung tinha uma gentileza e leveza extremamente orientais, uma maneira calma de falar as coisas, mesmo elas sendo muito sérias. As expressões não mudavam e ele tinha sempre um sorriso no rosto”
“Fidel é o oposto de Mao. As conversas sérias eram tratadas de forma bem informal. Muitas vezes as crianças estavam presentes, então era tudo bem leve. Fidel é um grande amigo. Na época em que as crianças moravam lá, ele foi um pai para eles. Ele tem um jeito latino, bem nosso "

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