Apesar de ser um caminho urgente para desafogar as ruas, interação entre automóvel
e transporte coletivo é ignorada pelo poder público
Publicado em 16/03/2014, às 09h14

Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Eles não precisam ser inimigos. Ao contrário. Mais do que nunca necessitam dialogar, interagir, misturar-se. O automóvel e o transporte coletivo, seja o metrô ou o ônibus, podem e devem se comunicar. A intermodalidade é necessária. E urgente num País que já possui um carro para cada quatro habitantes e numa região metropolitana que tem uma frota de veículos que cresce 6% ao ano, como é o Grande Recife. Mas ainda engatinhamos nesse assunto. Aliás, nem engatinhamos ainda. A integração do automóvel com o metrô ou, pelo menos, com o ônibus, é uma lógica de mobilidade completamente ignorada pelo poder público em Pernambuco, sejam prefeituras, Estado ou governo federal, que responde pelo metrô. A população até pratica, mas por conta e risco próprios. E sem qualquer estímulo.
A intermodalidade permite o deslocamento de pessoas - e também de mercadorias - por diferentes meios de transporte. No caso do carro e do transporte público, a ideia é estimular as pessoas a fazer parte do percurso de automóvel e concluir o restante de metrô ou ônibus. Evita que os passageiros dirijam por trechos congestionados de sua jornada e enfrentem os escassos e caros estacionamentos localizados no centro das cidades ou em bairros de grande atratividade. Também incentivam as pessoas a usar o transporte público ao invés apenas de seus veículos pessoais.
Para isso, são oferecidos estacionamentos nos quais os veículos possam ficar estacionados e protegidos até o retorno do proprietário. O ideal é que esses estacionamentos tenham uma tarifa integrada com o transporte coletivo que será usado, seja ônibus ou metrô. Assim, são menos carros nas ruas. Nos Estados Unidos e na Europa existem aos montes e são conhecidos como park and ride.
Mas o Grande Recife passa longe dessa concepção. Dos 18 terminais interligados que existem no Sistema Estrutural Integrado (SEI), modelo que representa o alicerce do transporte público coletivo da RMR, nenhum possui estacionamentos para automóveis. Nem mesmo, acreditem, os que fazem integração com o metrô.
O sistema metroviário da capital também dá as costas à intermodalidade, mesmo sendo o tipo de modal que mais atrai o usuário do automóvel. Nenhuma das 36 estações de metrô que compõem as Linhas Centro, Sul e Diesel (hoje operada por Veículos Leves sobre Trilhos - VLTs) possui estacionamentos ou qualquer tipo de integração tarifária com o carro. Ao contrário, não há sequer infraestrutura ao redor das estações para que os automóveis sejam deixados. Nem mesmo as estações localizadas nos extremos dos ramais, como Jaboatão dos Guararapes e Camaragibe (Linha Centro), Cajueiro Seco (Linha Sul) e Cabo de Santo Agostinho (VLT), possuem qualquer área estruturada para acomodar os automóveis.
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