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segunda-feira, 10 de junho de 2013

O julgamento de Bradley Manning e as perseguições políticas nos EUA

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Publicado em junho 8th, 2013 | por Rodrigo Barradas
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O post a seguir faz parte de uma série. Continue acompanhando na Revista Babel.
Finalmente, depois de três anos, se iniciou o processo de julgamento do ex-soldado estadunidense Bradley Manning. Os absurdos de sua prisão arbitrária foram mal justificados pela aprovação da National Defense Authorization Act (Lei de Autorização de Defesa Nacional – NDAA), que permite ao presidente do país, recorrendo às Forças Armadas, prender, sem julgamento, sem acusação formal e por tempo indeterminado, qualquer cidadão norte-americano em solo dos Estados Unidos ou em qualquer lugar do mundo, se esse julgá-lo uma ameaça terrorista.
O que levou Bradley Manning, que já vinha recebendo bullying dentro do exército por ser homossexual, a se rebelar, teve seu apogeu em dois lamentáveis episódios. O primeiro, na prisão arbitrária de 15 iraquianos, acusados de serem rebeldes, quando posteriormente foi comprovado serem apenas opositores do primeiro-ministro Nouri al-Maliki. Para não admitirem o erro, continuaram com a condenação dos rapazes. Manning foi explicar que se tratava de um engano ao comandante, e recebeu a resposta: “Fique calado!”. O que acontecera ali, naquele momento, o mudou de forma irreversível.
O segundo episódio foi uma aterrorizante cena de guerra. Em 2007, um helicóptero Apache tripulado por militares americanos no Iraque, atacou e matou indiscriminadamente civis, entre eles, crianças e um jornalista da Reuters e seu motorista. A partir daí, por questões éticas, Manning decide procurar ajuda.
Primeiramente recorre ao hacker Adrian Lamo, que havia ficado famoso no início dos anos 2000, viajando pelos Estados Unidos de ônibus, invadindo os bancos de dados de corporações comoYahooAOL e MCI WorldCom – para depois mostrar para essas empresas como consertar as falhas encontradas por ele. Nesse meio tempo, também entrava em contato com Julian Assange, vazando documentos ao Wikileaks, entre eles, o vídeo da chacina provocada pelos disparos do helicóptero, conhecido como “assassinato colateral”, e que foi usado posteriormente como prova de “crimes de guerra” cometidos pelos Estados Unidos.
O que ele não sabia é que Lamo, logo após o seu contato, alertou as autoridades americanas. Lamo salvou as conversas e entregou para agentes do Governo. Dois dias depois, Bradley Manning foi preso acusado de colaborar com o “inimigo”, jogado numa solitária que media 2,5m por 2,5m, onde entrou em desespero, pensou em se matar… mas não havia como.
Três anos depois do nada claro caso que envolve Manning, fica uma sensação de vingança dos Estados Unidos no ar, por não terem colocado as mãos em Julian Assange e dado um fim aoWikileaks. Contudo, Assange continua numa espécie esquisita de prisão. Depois de conseguir se refugiar na Embaixada do Equador, por causa da ridícula acusação de estupro na Suécia, poucas coisas mudaram de fato. Especulava-se uma possível invasão da polícia britânica contra a embaixada, mas por enquanto, nada se concretizou.
Em crítica sobre o livro The Passion of Bradley Manning, do advogado americano Chase Madar – também colaborador doLondon Review of Books e do Le Mond Diplomatique, o crítico social, linguista e professor emérito do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), Noam Chomsky, afirma:
“Bradley Manning mantém o princípio de que é importante que o público saiba o que seu governo está fazendo. O vazamento dos documentos do Wikileaks foi um serviço corajoso e importante para esta causa. Aqueles que consideram a democracia como um valor a ser maximizado devem concordar que Manning merece a Medalha Presidencial da Liberdade, e que o seu tratamento atroz por parte das autoridades deve ser duramente condenado.”
Em entrevista dada ao The Huffington Post, Julian Assange fez duras críticas ao papel da mídia no caso Manning. “É uma vergonha dizer que Manning contribuiu com o inimigo e, a partir daí, torná-lo um inimigo, ameaçando matá-lo ou fazer com que passe o resto da vida na prisão. A promotoria se recusou a deixar que a razão prevalecesse. Isso deveria ser um despertar para todos os jornalistas e editores dos EUA, pois é um precedente perigoso”, disse.
Assange resumiu dizendo que, baseado no que foi levado em conta no caso Mannig, qualquer jornalista e editor nos Estados Unidos poderão, no futuro, serem presos e acusados de ajudar o inimigo.

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