Para tentar evitar o problema, dando atenção aos adolescentes, a PCR estudará a relação entre evasão escolar e internamentos em centros para infratores
Publicado em 19/07/2013, às 06h55
Wagner Sarmento
wsarmento@jc.com.br

Rebeliões na Funase apontam relação entre delinquência juvenil e evasão escolar
O adolescente que abandona a escola está mais suscetível a entrar para o mundo do crime. É partindo deste princípio que a Secretaria de Segurança Urbana do Recife vai realizar, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), um estudo para cruzar as informações sobre evasão escolar com as estatísticas referentes a jovens internos na Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase). Levantamento feito ontem pelo Jornal do Commercio dá uma prévia da realidade. No ano passado, 12.353 alunos largaram os estudos nas redes estadual (10.605) e municipal (1.748). Enquanto isso, 3.971 ingressaram na Funase no mesmo período. A atenção ao público infantojuvenil é uma das frentes do Pacto pela Vida do Recife, lançado anteontem.
O secretário de Segurança Urbana, Murilo Cavalcanti, teve encontro ontem com o reitor Anísio Brasileiro durante a inauguração das novas instalações da Biblioteca Central e afirmou que espera iniciar o quanto antes a pesquisa. “Ainda quando estávamos elaborando o Pacto pela Vida, tive contato com um estudo na cidade do Rio de Janeiro mostrando que coincide o número de jovens delinquentes com a taxa de abandono escolar. Precisamos ir atrás daqueles que saem dos colégios”, afirma.
O secretário estadual da Criança e da Juventude, Pedro Eurico, diz que existe quase uma relação de causa e consequência: “É uma relação direta. A criança que se afasta da escola se aproxima da delinquência juvenil. Temos que garantir que nossos meninos estejam estudando.”
Tendo o foco na juventude inserido em um dos quatro eixos temáticos do Pacto pela Vida do Recife, a prefeitura já mapeou um grupo de 63 mil jovens entre 15 e 29 anos que seriam o extrato mais vulnerável e sujeito a virar ator ou vítima da violência.
A reportagem conversou com uma egressa da Funase que dá voz aos números. Largou a escola aos 15 anos, quando começou a se envolver com as drogas. Consumia, depois entrou na hierarquia do narcotráfico. Acabou apreendida. “Todo mundo só fazia bagunçar no colégio e eu fui junto. Perdi o interesse pelos estudos e comecei a mexer com drogas.” Passou um ano e meio cumprindo medida socioeducativa e está livre há sete meses. Voltou a estudar. Voltou a abandonar a escola. O irmão, de 22 anos, espera que, com o Pacto pela Vida do Recife, o poder público trace estratégias para manter os jovens no ambiente escolar. “Se houvesse mais incentivo, a história poderia ser diferente”, pontua ele.
O Pacto pela Vida prevê a construção de 42 Centros Municipais de Educação Infantil até o fim do próximo ano. As unidades, segundo Murilo Cavalcanti, terão um conceito que vai além das creches tradicionais. “É algo mais amplo, porque queremos focar no comprometimento com a cidadania. O objetivo é abrigar crianças que farão parte de uma geração do bem, integrada a uma cultura cidadã.”
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