Moradores fecharam rodovia BR-363. Afirmam que há vilas com até 20 dias sem água
Publicado em 08/03/2014, às 20h57
Do JC Online
Revoltados com a falta d’água, moradores de Fernando de Noronha realizaram ontem à tarde um protesto no arquipélago. Por cerca de quatro horas eles bloquearam com pneus, restos de móveis e galhos de árvores a BR-363, a única rodovia do lugar e que dá acesso ao aeroporto. Devido à manifestação, turistas perderam os vôos. Outros tiveram que seguir a pé, carregando bagagens até as pousadas. Em algumas vilas, a falta de água chega a 20 dias.
“Moro na Vila dos Remédios, no Centro. Ficamos 15 dias sem água. Minha família toma banho na Bica do Cachorro, como fazem muitas outras pessoas. A bica é usada também para lavar roupas. Tem dono de pousada mandando turistas tomar banho nela”, conta o promotor de vendas Sérgio Oliveira, 37 anos.
Ele reclama da falta de controle da quantidade de turistas em Noronha. “No Carnaval, a ilha estava superlotada. A taxa que cada visitante paga é R$ 48, por dia, um valor que não é barato. O que estão fazendo com esse dinheiro? Não há controle e quem sofre no final é a população”, destaca Sérgio.
O funcionário público Naldo Soares, 49, nativo do arquipélago, conta que os turistas estão reclamando. “Estão vendendo uma realidade de Noronha lá fora que não é verdadeira. Preocupam-se em atrair visitantes mas esquecem de oferecer infraestrutura básica como água na torneira”, observa Naldo.
Está prevista um reunião neste domingo com representantes da administração de Noronha e a gerência da Compesa. “Se não apresentaram uma solução faremos um novo protesto quarta-feira”, diz Sérgio.
A Compesa informa que está realizando todas as ações possíveis para minimizar os efeitos da estiagem em Noronha, que vive a pior seca dos últimos 50 anos. “A falta de chuvas reflete diretamente no abastecimento de água da ilha. As dificuldades decorrem do colapso do único manancial que atende o arquipélago, o Açude Xeréu”, diz a companhia.
“Sem ter como captar água, a Compesa conta apenas com os dessalinizadores, equipamentos que transformam a água do mar em água para consumo humano”, informa. Segundo a companhia, o abastecimento está sendo complementado com carros-pipa.
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