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quarta-feira, 16 de abril de 2014

GOVERNO João Lyra abre diálogo com os sem-terra

Governador recebeu trabalhadores rurais sem muita burocracia e se comprometeu a 


definir agenda. Os sem-terra saíram do encontro elogiando o anfitrião

Publicado em 16/04/2014, às 06h10

É quase uma máxima afirmar que a política é feita de gestos. Com apenas dez dias de gestão, o governador João Lyra Neto (PSB) não hesitou em se sentar à mesa com integrantes do Movimento Sem Terra (MST) que fizeram protestos na cidade durante o dia de ontem. Ao chegarem à tarde no Palácio do Campo das Princesas, depois de caminhada iniciada às 8h na BR-2032, foram recebidos pelo governador que, diplomático, levou poucos minutos para aceitar se reunir com o grupo no Salão das Bandeiras. A conversa, também acompanhada por três secretários de governo, durou mais de uma hora. No final, ainda houve espaço para chegar à sacada do Palácio, acenar para os manifestantes, aplaudir e trocar abraços.

O gesto fez com que os sem-terra terminassem o dia de protesto de forma tranquila e cheios de esperança. Um dos dirigentes regionais do MST, Jaime Amorim, fez questão de “agradecer”

 a receptividade do governador, que, segundo ele, “valorizou” a luta pela terra. “Apresentamos a pauta. O governador ouviu atentamente todos os pontos. Agradeço o fato de ter prontamente atendido a gente. Explicamos com calma os pontos, sem pressa. Foi uma forma de valorizar a gente”, comentou. Perguntado se o antecessor, Eduardo Campos, costumava fazer o mesmo com o MST, ele disse que “já recebeu algumas vezes”, mas que desta vez a reunião correu de forma mais tranquila, com tempo suficiente para falar todos os pontos reivindicados. “Ele indicou três secretários para nos atender. O que já é um indicativo. Não sei se vai dar tempo de atender, mas prometeu dar respostas muito breves a algumas questões”, elogiou.

Quando assumiu o governo, João Lyra colocou como prioridade o investimento na agricultura familiar, no tocante a criar mais políticas públicas de convivência com a seca no interior pernambucano. “Vou transformar essa pauta numa agenda. Acompanharei as reuniões de monitoramento para que possamos melhorar a qualidade de vida dos assentados e acampados em nosso Estado”, assegurou Lyra. Os pontos reivindicados tratam da desapropriação de terras improdutivas, irrigação, programas de apoio à agricultura familiar, entre outros na área de educação e saúde.

De acordo com o secretário da Casa Civil, Luciano Vasquez, foi ordenado pelo governador que o chefe de gabinete acompanhe de perto a pauta apresentada pelo MST e trate de envolver todas as secretarias nessa questão.

 “Eles são nossos aliados, da Frente Popular. Eduardo Campos cuidou da questão da terra nos sete anos, que envolvia todas as secretarias, mas, claro, se concentrava mais na pasta de Agricultura. O que foi pedido é que o chefe de gabinete também faça essa interlocução”,

 explicou Vásquez. 
João Lyra ainda tomou a iniciativa de acenar aos manifestantes que aguardavam do lado de fora. Com o governador, lá de cima, os sem-terra puxaram ainda gritos de ordem. Ele foi fotografado e aplaudido. O ex-governador Eduardo Campos (PSB), agora pré-candidato ao Planalto nas eleições deste ano, tem lançado mão de gestos para afagar o MST, que historicamente sempre foi alinhado ao PT. Em fevereiro, foi convidado para discursar na abertura de um congresso do movimento, em Brasília.

Como parte da Jornada Nacional de Luta por Reforma Agrária Popular, este mês, centenas de sem-terra, oriundos de várias partes do Estado e vindos em cerca de 15 ônibus, iniciaram a caminhada na BR-232, às 8h. Fizeram uma pausa às 13h na praça do Derby e seguiram por uma das pistas da Avenida Conde da Boa Vista rumo ao Palácio, o que provocou engarrafamento.

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