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domingo, 13 de abril de 2014

RODOVIA BR-232, exemplo de omissão e descaso

Os 130 quilômetros da estrada que separam o Recife de Caruaru, no Agreste do 

Estado, estão se perdendo num visível processo de degradação

Publicado em 13/04/2014, às 08h00

Iluminação precária é um dos principais problemas da BR-232 / Guga Matos/JC Imagem

Iluminação precária é um dos principais problemas da BR-232

Guga Matos/JC Imagem

A BR-232 está digna de pena. Ainda não é uma rodovia ruim, mas se os responsáveis pela via não decidirem fazer algo, em pouco tempo, será. E numa deterioração geométrica. Os 130 quilômetros que separam o Recife de Caruaru, no Agreste do Estado, estão se perdendo num visível processo de degradação. Os números da violência no trânsito refletem o abandono. Os acidentes associados à qualidade da via dobraram depois da duplicação da estrada e o perigo é perceptível para quem trafega por ela. À noite, principalmente. Por isso, o alerta: em época de Semana Santa, quando o pernambucano se volta para o interior, cuidado redobrado ao pegar o principal eixo rodoviário do Estado.

A manutenção da BR-232 vem sendo feita, mas apenas paliativamente. A deterioração chegou a um nível que o paliativo não resolve. É preciso colocar o dedo na ferida de fato e refazer toda a rodovia. O custo? Altíssimo: algo estimado em R$ 200 milhões pela Secretaria de Infraestrutura do Estado. Os obstáculos? Muitos: jurídicos, administrativos e, especialmente, políticos. A BR-232 está duplicada desde 2004, ao custo de R$ 500 milhões. Menos de dois anos depois os problemas começaram a surgir e, após várias investigações, descobriu-se que esqueceram de implantar um dreno subsuperficial para garantir a drenagem correta, o que tem provocado o acúmulo de água em diversos pontos da BR e a degradação precoce do pavimento. Resultado: a estrada está, de fato, se deteriorando. Quatro processos de auditoria especial foram abertos pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) para o trecho duplicado, que chegaram à conclusão da ausência do subdreno.

Enquanto o Estado briga na Justiça com as empreiteiras, que acusam os projetistas e, estes, por sua vez, devolvem a responsabilidade, a BR-232 vai ficando cada vez mais perigosa. Pelos números da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a rodovia já ultrapassou a média geral do Estado para acidentes causados por defeito na via em 2013 e 2014. Todas as BRs que cortam Pernambuco registraram um índice de 3,25% dos acidentes provocados pela falta de qualidade da rodovia, enquanto a 232 registrou 4%. Nos últimos três anos, foram 2 mil acidentes anuais, em média, com mais de cem mortos. A 232 só perde para a BR-101, que possui uma média de 4,5% e é a estrada campeã em acidentes no Estado.

O abandono da BR é percebido em toda parte, mas a degradação é maior no sentido Caruaru-Recife. A vegetação é alta, há poucas placas (muitas delas destruídas em colisões, sem reposição), falta iluminação nos trechos urbanos e, principalmente, sinalização horizontal, problemas potencializados à noite. A velha prática de jogar asfalto sobre as placas de concreto rachadas foi incorporada, piorando o que já está ruim e criando desníveis que mais parecem montanhas-russas.

“Ela ainda não é uma estrada perigosa nem ruim. Nunca será ótima porque tem problemas de traçado. Mas é fato que a manutenção é precária, que há várias partes degradadas e que se não houver cuidado, vamos perdê-la”, afirma o inspetor Éder Rommel, da PRF. A degradação da BR-232 parece que incomoda mais aos pernambucanos do que outras estradas. “É lamentável vê-la desse jeito. A 232 foi muito boa conceitualmente, mas na prática essa eficiência não se confirmou. Logo depois de concluída, sabia que os problemas eram sérios e iriam acontecer. E eles vão piorar”, lamenta o empresário Douglas Cintra, que reside em Caruaru e transporta diariamente produtos para o Recife.

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