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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A colina e o silêncio


Alex

Alex na Folha






E um dia ficaremos em silêncio não porque algo definitivo tenha acontecido, ou porque em nosso destino estava escrito e que uma paz tranquila chegaria com missão de um arcanjo, tão rápida, tão sutil.

E a lei do tempo que sempre existirá nas curvas diferenciadas de nossas existências tão frágeis.

O passar do tempo não faz alarde.

Nossas lembranças serão reflexos que irão iluminar nossos momentos, imagens que se sucedem e trazem o sorriso lembrando que a felicidade existiu.

É preciso lembrar que todas as felicidades são alegres: ou murmúrios também são discretos como o cair de uma pedra jogada na face lisa de um lago prateado.

Lago e céu se identificam, assim como existe a fidelidade do sol que nasce radioso e vai embora nas cores róseas de um fim de tarde.

Pássaros vadios passam cantando lembrando os belos momentos que tivemos hoje oscilando entre o real e o sonho. 
E me inclino e falo coisas ternas ao seu ouvido, 
e poderemos sorrir juntos, e tocar as mãos trêmulas.

E percebemos que alguns belos momentos não aconteceram, mas bastaria dizer: nada é perfeito, do começo ao fim, tudo, sem nada a esquecer, porque basta lembrar o que floriu o coração, noutros tempos, e as rosas que se multiplicam sempre nos jardins.

Os corações magoados agora batem no ritmo certo, em compasso com outros corações que passaram e não foram esquecidos.
Ah, a audácia das palavras, mesmo as mais sutis,
aquelas que foram efêmeras mas tocaram acordes em nossos sentimentos, 
como dedos que dedilham harpas.

E quando tivemos de iludir a nossa solidão,
nas longas distâncias,
pensando que se repetiam em nossos ouvidos as canções ternas.
E andamos, às vezes, em colinas amarelas, 
ou passamos por árvores distantes quando percebemos a figura da solidão fazendo gestos para atendermos a um apelo inútil.
Solidão,
aprender a conviver com você não é difícil; basta conversar com o coração repleto de incontáveis momentos felizes que passaram.
Somos a vida seguindo os rumos do destino.

Afinal, já sonhamos todos os sonhos que deviam ser sonhados, e os beijos que trocamos escondidos, quando havia festas e canções, e não esse gesto solitário e conformado.
A vida nos ofereceu inefáveis alegrias; chega o momento de pensar apenas nesses privilégios.

Do que restou de antigos sonhos ficaram as palavras, imagens, também, ou as melodias de novas canções.

E assim, porque vamos ficando em silêncio, estaremos unidos por amor, e sem receio do futuro.

Não me perturba nem me amedronta a eternidade porque já vivemos tantas vidas e o amor que os anjos ofereceram.

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