
Alex na Folha
E um dia ficaremos em silêncio não porque algo definitivo tenha acontecido, ou porque em nosso destino estava escrito e que uma paz tranquila chegaria com missão de um arcanjo, tão rápida, tão sutil.
E a lei do tempo que sempre existirá nas curvas diferenciadas de nossas existências tão frágeis.
O passar do tempo não faz alarde.
Nossas lembranças serão reflexos que irão iluminar nossos momentos, imagens que se sucedem e trazem o sorriso lembrando que a felicidade existiu.
É preciso lembrar que todas as felicidades são alegres: ou murmúrios também são discretos como o cair de uma pedra jogada na face lisa de um lago prateado.
Lago e céu se identificam, assim como existe a fidelidade do sol que nasce radioso e vai embora nas cores róseas de um fim de tarde.
Pássaros vadios passam cantando lembrando os belos momentos que tivemos hoje oscilando entre o real e o sonho.
E me inclino e falo coisas ternas ao seu ouvido,
e poderemos sorrir juntos, e tocar as mãos trêmulas.
E percebemos que alguns belos momentos não aconteceram, mas bastaria dizer: nada é perfeito, do começo ao fim, tudo, sem nada a esquecer, porque basta lembrar o que floriu o coração, noutros tempos, e as rosas que se multiplicam sempre nos jardins.
Os corações magoados agora batem no ritmo certo, em compasso com outros corações que passaram e não foram esquecidos.
Ah, a audácia das palavras, mesmo as mais sutis,
aquelas que foram efêmeras mas tocaram acordes em nossos sentimentos,
como dedos que dedilham harpas.
E quando tivemos de iludir a nossa solidão,
nas longas distâncias,
pensando que se repetiam em nossos ouvidos as canções ternas.
E andamos, às vezes, em colinas amarelas,
ou passamos por árvores distantes quando percebemos a figura da solidão fazendo gestos para atendermos a um apelo inútil.
Solidão,
aprender a conviver com você não é difícil; basta conversar com o coração repleto de incontáveis momentos felizes que passaram.
Somos a vida seguindo os rumos do destino.
Afinal, já sonhamos todos os sonhos que deviam ser sonhados, e os beijos que trocamos escondidos, quando havia festas e canções, e não esse gesto solitário e conformado.
A vida nos ofereceu inefáveis alegrias; chega o momento de pensar apenas nesses privilégios.
Do que restou de antigos sonhos ficaram as palavras, imagens, também, ou as melodias de novas canções.
E assim, porque vamos ficando em silêncio, estaremos unidos por amor, e sem receio do futuro.
Não me perturba nem me amedronta a eternidade porque já vivemos tantas vidas e o amor que os anjos ofereceram.
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