Há um ano, o João Cândido iniciou sua 1ª viagem. Hoje atua como aliviador, levando petróleo das plataformas às refinarias
Publicado em 25/05/2013, às 11h00

Navio teve índice de retrabalho de 40% e demorou três anos e oito meses para ser concluído
Bobby Fabisak/ JC Imagem
Simbólico e polêmico. Há exatamente um ano, o João Cândido deixou o Estaleiro Atlântico Sul (EAS), no Complexo de Suape, para sua primeira viagem. Desatracou do cais sob o olhar de 5 mil funcionários, carregando o título de maior navio brasileiro em operação (até então) e uma história de percalços na sua construção. A expectativa é que fosse atuar na operação de longo curso (ultrapassando as fronteiras nacionais), mas a demanda interna pelo transporte de petróleo fez com que a embarcação permanecesse na costa brasileira.
Comandado pelo gaúcho Carlos Augusto Müller, o primogênito do EAS opera como aliviador, levando petróleo das plataformas para as refinarias brasileiras. A primeira viagem durou dois dias e meio (de Suape até o Rio) para chegar ao Campo Marlim Sul, na Bacia de Campos, onde está localizada a plataforma P-38 para extração de petróleo. Na ocasião, Müller explicou que uma embarcação desse porte leva de dois a três dias para carregar sua capacidade total de óleo cru, de um milhão de barris (metade da produção diária do País). O petróleo transportado por esses gigantes é descarregado nas refinarias, onde será transformado em produtos derivados, como gasolina, diesel, gás natural, nafta, coque e tantos outros.
Atualmente, o João Cândido não reina mais soberano como o maior navio brasileiro. O gigante Zumbi dos Palmares, que foi incorporado à frota da Transpetro na última segunda-feira, tem as mesmas características do petroleiro-irmão. E também foi atuar na Bacia de Campos. Quando esteve em Pernambuco para participar da entrega do Zumbi, a presidente da Petrobras, Graça Foster, lembrou a necessidade de aumentar a frota brasileira de navios para atender ao crescimento da produção de petróleo. “Hoje produzimos dois milhões de barris por dia. Dentro de 7 anos esse volume vai dobrar”, alertou.
O João Cândido (batizado com o nome do Almirante Negro que liderou a Revolta da Chibata, em 1910) tem 274,2 metros de comprimento, 48 metros de largura, 51,6 metros de altura e 12 tanques de carga. Ele pode dar uma volta ao mundo sem precisar abastecer, em função da sua autonomia de combustível de 20 mil milhas náuticas.
RENASCIMENTO - O petroleiro pernambucano carregou o peso de içar a retomada da indústria naval no Brasil, que chegou a figurar entre as mais importantes do mundo nos anos 70, mas depois submergiu. Construído pelo neófito e mais moderno estaleiro do País, o EAS, o navio foi entregue com quase dois anos de atraso. A demora colocou em xeque a capacidade dos construtores nacionais, a qualidade da mão de obra e a aposta do governo federal. Quando esteve em Suape, na segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff lembrou a estratégia de seu sucessor Lula para voltar a construir navios em território nacional.
“Importar navios era exportar empregos. Na época, em 2003, recebemos a missão do presidente Lula de fazer o setor renascer. Na época, a atividade contava com apenas 2 mil empregos, hoje esse número se multiplicou para 54 mil”, comemorou.
O João Cândido teve um índice de retrabalho de 40% e demorou três anos e oito meses para ser concluído. A atividade de soldagem foi um dos principais problemas. Dos 24 mil quilômetros de solda, 18 mil precisaram ser refeitos. Um aprendizado que vai ficar para a história.
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