Um Sertão com água e produção ativa é possível mesmo com estiagem, como ensinam exemplos no México e nos Estados Unidos
19/05/2013 16:40 - Tatiana Notaro, da Folha de Pernambuco

Saber conviver em harmonia com os períodos de seca, manter o campo vivo e produtores economicamente atendidos é uma decisão possível, mas que precisa que governos, pesquisadores e produtores aliem-se como agentes. Ou trabalham juntos, uns pelos outros, ou tudo se esvairá.
Na missão organizada pela Federação da Agricultura de Pernambuco (Faepe) e pelo Sebrae Pernambuco, os cenários de estiagem vistos no México e nos Estados Unidos não são desoladores, não têm morte, súplica ou carros-pipa. Durante dez dias, em abril e maio, ouviu-se pesquisadores e produtores, gente que estuda e gente que lucra com uma seca sem carcaças e sem lamentos.
A cidade de Hermosillo é um deserto no noroeste do México. E no meio daquele deserto, há água doce de poço, fruticultura irrigada, criação de animais e exportação de carne. “Aqui, eles não esperam pela chuva”, observa o agrônomo, Superintendente de Pesquisa e Pós-graduação do Itep e coordenador técnico da missão, Geraldo Eugênio França. Mais do que isso, o México entende seu próprio clima e tira o melhor proveito dele.
Na rota das cidades visitadas nos estados do Texas e de Nebraska, nos Estados Unidos, viu-se universidades a serviço do campo, previsões climatológicas, políticas consistentes e irrigação por gotejamento milimetricamente calculado. Ali, desperdício de água é falha inaceitável, dados viram informações que indicam quando, onde e o quanto vai chover. No Texas, os estudos climáticos têm dados dos últimos 100 anos. O indicativo de estiagem simplesmente cancela culturas, subsidia produtores e evita maiores perdas econômicas. Em Nebraska, os milharais estão cheios de espécies híbridas e produtivas.
Criar simples comparativos ou apontar culpas pelas penalidades vividas aqui não soluciona. O objetivo maior desse registro também não é importar um modelo a ser seguido, mas mostrar exemplos de resultado e de produtividade. Lições que mostram que pesquisa e planejamento são melhores caminhos que qualquer socorro emergencial. Bem como resumiu o também agrônomo, presidente da missão, Pio Guerra: “o intuito é unir, juntar esforços e buscar entendimento para soluções”.
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