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domingo, 18 de agosto de 2013

Gentileza, palavra rara nos transportes coletivos da Região Metropolitana do Recife

Locais reservados são invadidos por outros passageiros, apesar das placas


18/08/2013 10:13 - Wellington Silva, da Folha de Pernambuco

Quando se pensa em mobilidade vem à mente calçadas largas, ciclovias, ônibus confortáveis, vias livres, entre outras questões. Contudo, infraestrutura e modais à parte, a educação e a consciência de cada um é o que de fato faz a diferença. Não adianta ter apenas um bom sistema de transporte coletivo e individual, é preciso que os usuários promovam, constantemente, a política da boa vizinhança. Para gestantes, idosos e deficientes, sobretudo, a gentileza das demais pessoas é fundamental na hora de usar o ônibus como meio de transporte.
Os coletivos que circulam na Região Metropolitana do Recife (RMR) possuem assentos preferenciais para pessoas com mobilidade reduzida. Alguns veículos concedem esta regalia apenas na parte da frente, antes da catraca, enquanto outros oferecem lugares especiais também na parte de trás. Porém, não é difícil observar pessoas sem mobilidade reduzida fazendo uso das cadeiras exclusivas para os que têm deficiências. O problema, no entanto, não se resume a isso: o desrespeito também se dá com os lugares exclusivos para gestantes, idosos e obesos.
É comum ver pessoas que não se enquadram na orientação desses assentos usando-os, enquanto, quem realmente deveria estar sentado, fica em pé. Essas situações são fáceis de serem observadas, principalmente nos horários de pico, quando o número de usuários nos ônibus é maior.
Muitos alegam que com o corre-corre do dia fica difícil ceder um lugar, após uma jornada pesada e cansativa de trabalho. Afinal, um assento é a oportunidade de descansar. Com esse argumento, deixa-se de lado a cortesia. E a legislação, que obriga, em determinados pontos dos veículos, que velhos, idosos, obesos e grávidas tenham a garantia de sentar.
Quem vive na pele essa realidade é o aposentado Vito Di Vincenzo, de 80 anos. Ele contou que a maioria das pessoas acha natural ocupar um assento reservado para determinado grupo. Afirma, também, que os jovens são os que mais têm essa atitude. “As pessoas sentam e só levantam quando estão perto de descer, pois precisam pagar a passagem e passar na catraca. Enquanto isso, ficamos em pé”, pontuou. De acordo com Vincenzo alguns fingem dormir para não ter que ceder o lugar.
Grávida de oito meses, a jovem Maiara Maria Muniz, de 18 anos, também sente dificuldades na hora de usar o transporte público. “Falta consciência da parte de todos. Até os idosos, quando sento, reclamam, pois acham que só eles podem ocupar a cadeira preferencial”, denunciou.
Para amenizar essas queixas, Paulo Hélio Pereira, 43, que trabalha como motorista de ônibus há 14 anos, é taxativo. “Os usuários precisam ter mais consciência, pois o novo de hoje é o velho de amanhã. Também seria ótimo que o Grande Recife Consórcio de Transporte investisse mais em campanhas educativas”, sugeriu.
Deficientes são mal atendidos
Muitos deficientes físicos, sobretudo os cadeirantes, reclamam do mau atendimento prestado por motoristas e cobradores de ônibus. Alguns chamam atenção para a má vontade na hora de operar as Plataformas Elevatórias Veiculares (PEV). Outros destacam a velocidade dos coletivos e freiadas bruscas. Há quem relate, ainda, a falta da PEV em alguns coletivos e a existência de equipamento quebrado em outros.
Atualmente, dos três mil ônibus que circulam na RMR, 61% dos veículos possuem PEV. Segundo o Grande Recife Consórcio de Transporte todas as linhas em operação têm, pelo menos, um coletivo com o equipamento. A meta é que até 2014 toda a frota conte com o aparelho. Além da maioria dos ônibus do sistema não contar com a PEV, é comum encontrar alguns que tem o equipamento danificado. Dos 1.217 veículos abordados pelo Grande Recife, de 2010 a 2012, dentro da campanha “Gentileza faz a Diferença”, cerca de 8% apresentaram problemas na PEV.
No caso da Empresa Metropolitana a manutenção é feita sempre que o problema é verificado, ou a cada 4,5 mil quilômetros rodados. Segundo o assessor de Recursos Humanos da Metropolitana, Felipe Nogueira, todos os seus cobradores e motoristas são capacitados: tanto para saber manusear a PEV, quanto para lidar de forma adequada com o usuário. “Mostramos para eles a importância do atendimento diferenciado para pessoas com mobilidade reduzida e o modo como ele deve ser feito”, explicou.

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