AD Luna - Diarios Associados
Publicação: 17/08/2013 20:02
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| A banda Dunas do Barato toca na Casa do Cachorro Preto. Foto: por Keyze Menezes |
A diversão e a coletividade movem o espírito da coletânea O.N.I (Objeto Não Identificado), que reúne músicas de 14 bandas e artistas da atual cena independente de Pernambuco. Neste domingo (18), parte do elenco (Jazzy Grind, Dunas do Barato, Matheus Mota, Jean Nicholas, Ex-Exus e Claudio N, como DJ) lança o disco com show, às 17h, na Casa do Cachorro Preto (Rua 13 de Maio, 99, Carmo, Olinda). Entrada gratuita. Os músicos comentaram faixas uns dos outros para o Viver. Antes, assista a vídeo de entrevista com Matheus Mota e Ricardo “Cacá” Maia (Ex-exus).
1- Pra Ivete cantar, do Ex-exus, comentada por Jean Nicholas
“Particularmente, não gosto desse revisionismo do axé que tá rolando. Tenho péssimas lembranças do estilo, minha familia me arrastava pra casa de praia do meu tio e meus primos playboys escutavam Chiclete com Banana o dia todo, era horrível. Mas gostei de Pra Ivete cantar! Lembra mais o Joy Division, se eles tivessem senso de humor: 'nem sabe mais o que é sair do ap/só vive agora em casa nessa deprê.' Eu ri. O som do baixo tá sensacional e os efeitos no final junto com os metais ficaram do caralho. A Ivete com certeza iria estragar a música se cantasse, e eu preferiria f... com a Ivete do que ver ela f... uma música minha. Fica a pergunta: E aí Ex-Exus, vocês querem mesmo que a Ivete cante ela?”
2- Avenida, de Matheus Mota, na visão de D Mingus
“A linha melódica ressalta a dramaticidade da letra, um tanto quanto enigmática do ponto de vista factual, mas que imageticamente fala por si. São bastante expressivas as dinâmicas que ele cria ao piano elétrico. A bateria é escrita de forma peculiar, sugerindo um certo abstracionismo. Talvez o maior talento de Matheus seja exatamente o de aliar um senso pop cancioneiro com ‘estranhamentos’ vanguardistas que desafiam o ouvinte mais acomodado”.
3- De corpo presente, de D Mingus, por Grilowsky
“O impressionante psicotropicalismo dos trabalhos de Dmingus recentes vêm recebendo elogios merecidos. O “sinthpop” xamânico visual e sessentista ultra/perpassa os clichês Jupiterianos e Sangrias, mantendo a poética visceral ‘do it youself’ phunkiana acessa”.
4- Bueiragem, de Jean Nicholas, por Leo Vila Nova (Dunas do Barato)
“Quer saber de um cara que é rock'n'roll até o talo? Ele se chama Jean Nicholas. Só que, em Bueiragem, ele vai bem mais além. Aí está a pegada hip hop, seja na batida ou no jeito de cantar, entre otras cositas mas. A música me lembra um pouco o Beck, só que é o bom e velho chinês Jean Nicholas! Letra sagaz e papo retíssimo, meu irmão!”
5- Ex-piral, de Marditu Soundz, por German Ra
“Um barulhinho que chega do nada, vai se repetindo, se avolumando, entra no ouvido, dá um barato, em círculos, espirais ou ex-pirais como diz no título, é assim que toca essa banda do Marditu, que na verdade não passa de um só cara, Tiago. Quando não toca batera, penteia seu bigode ou inventa sons que dão voltas no cérebro. Pode assustar os desavisados e inexperientes. Mas é mesmo desse jeito assim que é Soundz. Ah Marditu!”
6- Doutor Ervilha, de Zeca Viana, por Ricardo “Cacá” Maia (Ex-exus)
“Com essa composição, Zeca Viana consegue fazer a ponte psicodélica entre os Beatles e os Mutantes, mas também extrapola para conexões não tão óbvias com a suavidade de Guilherme Arantes e a faceta lúdica de Raul Seixas. A alternância do compasso binário para um de três tempos – que divide a música em praticamente duas partes bem conectadas – é um artifício interessante para mudar da sonoridade que narra a memória infantil sobre um personagem fantástico para um clima mais onírico e abstrato, talvez, um salto entre a lembrança de criança e o momento de maturidade do adulto. Essa é a minha faixa predileta do disco Seres Invisíveis, de Zeca Viana!”.
7- Infância, de German Ra, por Matheus Mota
“A música me dá a impressão de estar conversando com Germano em meio a rabiscos num caderno, típicos dos que ele gosta de fazer. A música parece se reportar pra um ambiente anos 80 das rádios FM, TV e afins. A forma como os instrumentos aparecem e somem me lembra uma típica aula de artes pra crianças. Esse tipo de experiência era bem presente na banda Sabiá Sensível, que Germano liderava e eu já cheguei a tocar, juntamente com Aninha Martins e outros amigos.”.
8- Bem mais que a mim, de Enio HomemBorba, por Claudio N
“Enio Borba já faz parte da música ‘underground’ pernambucana há pelo menos uns sete anos. Atual guitarrista da banda de Juvenil Silva, Enio agora mostra a faceta de cantor/compositor/produtor com a faixa Bem mais que a mim, dedicada ao desdém feminino.”
9- Desapego, de JuveNil Silva, por Graxa
“A música que batiza o disco de Juvenil é uma mostra da constante evolução desse bicho como compositor. É uma canção de amor sem conversa mole. Direto ao ponto. Vejo muito da influência de Belchior na forma de composição nessa canção de Juvenil. Recentemente ele lançou um clipe dela, em parceria com o pessoal da Vícioclipes. Pra quem ainda não viu sinto informar que está marcando touca. Um trabalho muito bem feito, com muita força de vontade pra que acontecesse. Foi uma junção de uma canção linda com imagens que fazem juz. Eu mesmo, quando vi o vídeo no FIG desse ano, num pré-lançamento, fique com os olhos marejados. Num deu pra sacar porque eu tava de óculos escuros. O "caldo" não desceu dos meus olhos porque eu sou durão. já disse e digo de novo: não (ou)viu ainda? 'Procure, que você vai entender!'”
10- Bando de crocodilos, de Graxa, por Marditu Soundz
“Bando de Crocodilos é o mais autêntico garage rock made in Jiquiá, bairro onde vive Graxa. Tem basicamente tudo que o gênero pede: batida dançante, orgão com marcação pesada, guitarra com fuzz comendo no centro, e, de lambuja, uma letra espertíssima sobre crocodilagem, a fina arte da trairagem tão em voga em determinados séquitos, inclusive no meio musical. É bom lembrar que vale a
pena prestar atenção mesmo na letra, já que Graxa, sem sombra de dúvida, é o melhor letrista da gloriosa Cena Beto. Música pra dançar ligado nos fuleiros que rondam em volta.”.
11- Bad trip, de Cláudio N (em parceria com Vinícius Paes), comentada por German Ra
“Tornei-me um ébrio escutando esta música. Na voz, uma perfeita homenagem aos estilos de Nelson Gonçalves ou Altemar Dutra, ao tempo dos cabarés, bolerões e modinhas, sentimentos derramados, noites lúgubres. Conheço o trabalho de Claudio N deve fazer uma década, desde a genial mistureba de samples do Chambaril. Na carreira solo, já brincou com rocks contemplativos instrumentais, axé music (tem raízes em Paulo Afonso), e agora em versão seresta. Caixinha de surpresas esse camarada. o músico Vinícius Paes. .”
12 - Paciência zero, de Grilowsky Jazzy Grind, por Juvenil Silva
“Eis que de repente me vejo sendo transportado para uma vibe Michael Douglas no filme Um dia de fúria. Fritação metal experimental, o impacto ao ouvir a faixa é imediato, o ouvinte prende a respiração e se segura firme onde está. Em estado de turbulência ficamos atentos esperando o que vai acontecer. Em menos de dois minutos assim como vem a faixa segue pro nada deixando nossa pulsação um pouco mais agitada que antes. Ouça com Maracujina...”
13- That´s all right, de Aninha Martins, por Enio HomemBorba
“Vi o crescimento de Aninha como cantora e, agora, o desabrochar como atriz. Uma voz forte cheia de certeza. Sua performance no palco é forte, vibrante, interpreta a música, vive a música no palco. A banda que a acompanha é ímpar e isso favorece sua apresentação. Quem teve o privilégio de ver sua apresentação na 7ª edição do Desbunde Elétrico sabe do que eu estou falando”.
14- Sai da calçada, da Dunas do Barato, por Aninha Martins
“Esse frevo foi escolhido para fechar com grande estilo a coletânea O.N.I., e particularmente é uma das músicas que eu mais gosto da Dunas. A bateria marcada de Gil, o baixo palhetado de Juvenil juntos com a guitarra macia de Diego (compositor da música), os elementos percussivos de Leo, e a guitarra frenética de Padrão formam um bloco sonoro pelo qual a voz açucarada de Natália pode passear”.

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