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domingo, 12 de maio de 2013

FUTEBOL Érico Júnior e Nininho, os craques de periferia de Sport e Santa Cruz


 / Fotos: Rodrigo Lôbo e Edmar Melo/JC Imagem

Fotos: Rodrigo Lôbo e Edmar Melo/JC Imagem

Em campos e quadras de periferia eles nasceram para o futebol, suas habilidades moldadas a cada pelada com o amor pelo jogo e times de coração. Lado a lado caminhava a humildade e caráter construídos por uma forte base familiar. Hoje, profissionais e jogando por Sport e Santa Cruz, respectivamente, Érico Júnior e Nininho serão importantes na segunda partida da final do Campeonato Pernambucano Coca-Cola, na Ilha do Retiro. Torcedores e jogadores ao mesmo tempo, terão a chance de entrar para a história do clube que defendem.

Érico Júnior - Se não fosse pelas roupas estilosas – que o diga a “balaca” do relógio branco – e o rosto já conhecido, não daria para dizer que ele era o mesmo que havia dado seu cartão de visitas à torcida rubro-negra no Estadual como Pelezinho. Apelido que acabou sendo deixado de lado.

O motivo foi de evitar comparações. “Isso de ser negão e ser habilidoso, jogar bola... Chamam logo de Pelé. É normal”, falou sorrindo Márcia Sales, mãe de Érico. A princípio, não havia problemas com a alcunha, mas a exposição na mídia fez o jogador e a família pedirem que ela fosse deixada de lado. “Sempre vou ser Pelezinho. Foi assim que cresci e sou chamado desde pequeno. Mas como jogador, quero fazer o meu próprio nome”, disse Érico Júnior.

Os primeiros chutes foram cedo, entre os 6 e 7 anos, na categoria fraldinha. O time era o Palmeirinha – que hoje se chama Sensação –, do treinador Sandrinho. Os anos passaram e Érico continuava como o famoso “secura”, da gíria popular. Não tinha sol ou chuva que o fizesse dispensar uma boa pelada com amigos ou desconhecidos. Era o seu vício. Jogava e sonhava que um dia poderia atuar no Sport, time de coração. “Tinha dia que jogava com sol de meio-dia na cabeça. Saía nas carreiras pra jogar às dez da noite. Uma vez, deixei a irmã – na época com cinco anos – com ele. Quando fui ver ele tinha levado ela pra pelada, pra ficar lá esperando”, recordou Márcia.

A família se mudou por uns anos para Maranguape, onde os treinos continuaram na escolinha de Edmilson Banana, ex-goleiro do Santa Cruz entre as décadas de 80 e 90. Já na adolescência, um olheiro viu o então meia Pelezinho se destacar e o levou para o Vitória de Santo Antão, onde atuou por cerca de dois anos. A ida para o Sport aconteceu após um bom campeonato de juniores, quando atuou quatro vezes contra o Leão. O leonino ainda não se adaptou totalmente à fama, mas já vai mostrando pinta de jogador. “Tu como modelo é um excelente jogador”, brincou Márcia, enquanto Júnior – como ela o chama -  se preparava para as fotos. Já ele mostra, de forma serena, que não vai deixar nada mudar seu jeito. “O reconhecimento é bom e vem com o trabalho, mas não jogo futebol por fama. É porque gosto.” Simples assim.
NININHO - “É pra Nininho, é?”. A pergunta de algumas crianças acompanhou a reportagem do JC durante a procura pela casa do lateral-direito do Santa Cruz, no Alto do Pascoal. “Ele mora ali!”, apontaram, entre curvas e ladeiras. Impossível não encontrar o lar do jogador de 21 anos. Se dentro do time que pode se tornar tricampeão pernambucano Nininho é uma simples peça, dentro do seu bairro, ele é a peça-chave, motivo de orgulho dos vizinhos mais velhos e combustível do sonho dos mais novos de se tornarem jogadores de futebol. Mesmo sonho que o jovem Salastiel Bartolomeu de Paiva Filho almejou quando ainda era apenas um torcedor coral.

“Eu ia pra geral assistir aos jogos. Sempre quis estar ali dentro”, revelou Nininho, com o filho Saulo Vinícius, de 2 anos, a tiracolo. O amor repassado pelo pai tricolor ao atleta se estendeu ao garoto, que apontava para o estádio do Arruda constantemente, durante as fotos. “Santa Cruz” era a frase predileta do seu vocabulário tímido.

O estádio José do Rego Maciel é a segunda casa de Nininho. Quando não está com a família ou amigos, pega uma carona, um ônibus ou até vai andando para o clube. Rotina repetida desde que começou a jogar no futsal coral aos 10 anos. Seu potencial para o campo foi descoberto aos poucos. Aos 15 anos, em 2007, começou na função de volante. “Quando lateral faltava, eu ia”, recordou.

Problemas burocráticos o levaram ao Sport, entre os idos de 2009 e 2011. Sem ser aproveitado, voltou ao tricolor. O espaço ia sendo conquistado aos poucos. “Em 2012 Zé (Teodoro, então treinador) me subiu para o profissional.” Ainda assim, a tão esperada chance de entrar em campo não apareceu. A Série C do Brasileiro veio e se foi na rotina coral. Junto com a tristeza pela desclassificação estava a frustração de Nininho. “Você vai sendo relacionado e não joga. Dá desânimo”, explicou. Nessas horas, os conselhos fizeram a diferença. “Sandro (Barbosa, ex-assistente técnico) falava pra não desanimar.”

Neste ano, o treinador Marcelo Martelotte viu em Nininho o vigor necessário para cobrir a lateral direita quando o improvisado Éverton Sena não rendia. Na volta da semifinal do Pernambucano, contra o Náutico, o coringa Sena teve de ir para a lateral-esquerda. E Nininho foi bem como titular, ajudando na passagem do Santa. Ao se deparar com a tradicional pergunta sobre como se sentiu ao entrar em campo, ele parou por uns segundos. Seus olhos fitaram o chão, mas o pensamento viajou nas memórias que ninguém conseguirá compreender por completo em palavras.

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