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domingo, 4 de janeiro de 2015

RELIGIÃO Devotos financiam restauração de altar da Paróquia de Nossa Senhora do Ó

Obra foi executada de agosto a dezembro de 2014. O altar-mor, de madeira, recuperou o 


douramento e voltou às cores de origem: azul, rosa e creme


Publicado em 04/01/2015, às 09h09


Cleide Alves

A altar-mor, já restaurado, é uma construção do século 18, mas também exibe adornos do século 19, acrescentados durante reformas / Foto: Guga Matos/JC Imagem



A altar-mor, já restaurado, é uma construção do século 18, mas


 também exibe adornos do século 19, acrescentados durante reformas



Foto: Guga Matos/JC Imagem

Construção do século 18, reformada no 19, a Paróquia de Nossa Senhora do Ó, em Ipojuca, há tempos necessitava de obras de restauração. As madeiras sucumbiam ao ataque de cupins e camadas de tinta escondiam adornos e desenhos dos altares. Com a ajuda de fiéis, o templo católico começa a recuperar as feições de origem, revelando detalhes de arquitetura e novas cores.

A mudança começou pelo altar-mor, feito de cedro e de estilo neoclássico. “Removemos nove camadas de tinta sobre a madeira”, diz o restaurador Enos Omena, responsável pelo serviço. A peça, agora, exibe tons de azul cobalto (claro e escuro), rosa e creme, além de partes douradas. “Nós desmontamos o altar, fizemos a restauração no Recife e montamos novamente na igreja”, detalha Enos Omena.

De acordo com ele, a infestação de cupins era o grande problema a ser controlado. “A perda de madeira foi significativa, por causa dos insetos”, afirma. Limpo, pintado e restaurado, os querubins do altar ficaram mais visíveis, assim como as folhas de acanto e as figuras de faisões. O altar-mor, dedicado a Nossa Senhora do Ó, mistura enfeites dos séculos 18 e 19.

Para arrecadar os recursos, o pároco Djanilson Pereira fez uma campanha com os devotos. Ele distribuiu carnês de fidelidade, cada um com 12 unidades, no valor de R$ 10, que podia ser quitado em parcelas ou de uma só vez. Ficava a critério do doador. A ideia era juntar R$ 90 mil para custear a obra do altar-mor da igreja matriz da comunidade, um distrito de Ipojuca.

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Paróquia de Nossa Senhora do Ó, de Ipojuca (PE), teve o altar-mor restaurado com apoio de fiéis
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O trabalho, executado por 12 pessoas do Atelier Patrimonni de Restauro e Pesquisa, teve duração de quatro meses, de agosto a dezembro de 2014. A partir de fevereiro de 2015, possivelmente, a equipe inicia a recuperação de dois altares laterais: o de Nossa Senhora da Conceição e o do Sagrado Coração de Jesus.

“São duas peças de madeira, do século 19, também no estilo neoclássico”, diz Enos Omena. As mesas de adoração também serão desmontadas, restauradas no Recife e pintadas nas mesmas cores do altar principal. “Os altares estão pintados de branco, voltaremos aos tons do século 19, identificados com a remoção das camadas de tinta”, declara. Devorado pelos insetos, parte do cedro está oco.

Padre Djanilson informa que a campanha continua, para garantir a recuperação dos altares laterais. “Só contamos com a colaboração dos fiéis. Temos o carnê, doações espontâneas, organizamos festas e quermesses”, comenta o pároco, explicando a origem do dinheiro. “Há mais de 50 anos não se mexia nos altares, eles eram todos brancos e estavam com a madeira muito estragada”, observa.

O prédio da paróquia não é tombado e os altares não passavam por obras de recuperação há mais de 50 anos, de acordo com o padre Djanilson Pereira


Na primeira fase da campanha, a igreja juntou R$ 88,27 mil, informa o religioso, que assumiu a paróquia há cinco anos e nove meses. A obra de restauração do altar-mor foi concluída em 5 de dezembro de 2014, com celebração de missa para a comunidade. “Vamos precisar de mais recursos porque serão recuperados dois altares”, diz ele.

Elevada à condição de paróquia em 2005, com o crescimento da região, a antiga Capela de Nossa Senhora do Ó fazia parte da Paróquia de São Miguel, de Ipojuca. O prédio, na Rua da Matriz, tem pedra de cantaria na fachada, arco-cruzeiro, soleira e presbitério (capela-mor). “A cantaria está pintada, mas é possível remover a tinta, sem prejuízo”, afirma o restaurador. Por enquanto, não está prevista intervenção nas pedras.

MARCO

Um cruzeiro de pedra, fincado no terreno em frente ao templo religioso, também se encontra descaracterizado, coberto por camadas de pintura. A igreja não conta com proteção federal ou estadual. “Infelizmente, nunca foi tombada”, lamenta Enos Omena.

Devota de Nossa Senhora do Ó e moradora de Ipojuca, Maria José Uchoa Cavalcante está empolgada com as obras. “Esperava mesmo por isso, a paróquia foi esquecida. O serviço devia ter sido feito há tempo. O resultado é bom para a cidade e para as pessoas que frequentam a igreja. Os altares estavam muito desgastados”, destaca Maria José, integrante da Legião de Maria.

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