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terça-feira, 29 de outubro de 2013

“É difícil acreditar em Mysheva”, diz advogado de Edmacy Ubirajara

Criminalista não acredita na versão da noiva do promotor que disse ter rolado no chão para escapar dos tiros


29/10/2013 07:23 - Priscilla Aguiar, da Folha de Pernambuco


Com base no procedimento policial que apura o assassinato do promotor de Justiça Thiago Faria Soares, que ocorreu no último dia 14, o advogado do agricultor Edmacy Ubirajara, suposto executor do crime, questiona alguns pontos obscuros que cercam as investigações. O criminalista Anderson Flexa, que está analisando minuciosamente o inquérito, levanta uma série de dúvidas sobre o caso. Flexa não acredita na versão de Mysheva, que disse ter rolado no chão para escapar dos tiros. Segundo o advogado, ela também teria afirmado que o noivo, mesmo após ser baleado no pescoço, pronunciou a frase “Oh, Mysheva” e parou o carro, em que estava, no acostamento. O jurista não entende como uma pessoa baleada no pescoço poderia ainda falar. Ainda segundo Flexa, a advogada reconheceu o agricultor Edmacy como autor dos disparos que vitimaram o jurista, mas alegou que não o conhecia anteriormente. Flexa observa que os familiares do suspeito, no entanto, afirmam que os dois (Mysheva e Edmacy) frequentavam os mesmos eventos e que o tio do pai da advogada já teria sido casado com a tia do agricultor. O criminalista também diz acreditar que o sigilo decretado pela Polícia Civil sobre as investigações se deve a questões que haviam passado despercebidas e precisaram ser aprofundadas. Confira a íntegra da entrevista.
Como a vítima pôde estacionar o carro tão alinhado ao meio fio após ela levar um tiro?
De acordo com o depoimento da Mysheva, a vítima, após levar o tiro, estacionou o veiculo, olhou para ela e pronunciou a seguinte frase “Oh Mysheva!”. Ela disse que ele havia sido atingido por um carro que emparelhou com o que eles estavam e efetuou o primeiro tiro, atingindo o promotor na região do ombro e pescoço, mas que, mesmo assim, o promotor estacionou e os algozes dispararam os outros tiros. O veículo foi periciado e, segundo declarações de curiosos, ainda estava ligado e só não estava em movimento por estar com a marcha na posição “P”.
O carro do promotor é automático e fotos da cena do crime mostram que o câmbio estava na posição “P”, oque indica que ele estacionou o veículo. Ele teria estacionado antes ou depois de levar o tiro?
Essa marcha só pode ser acionada com o carro parado e com o pé acionando o pedal do freio. Sem os comandos simultâneos, não é possível acionar a marcha. A versão é um tanto estranha, pois o veiculo dos algozes jamais alcançaria o veiculo do promotor. No depoimento, ela (Mysheva) diz que se tratava de um carro popular Corsa (velocidade de 181 km/h) tentando alcançar uma Hyundai ( 223 km/h). O promotor escaparia por estar em um carro potente e automático. O carro dos assassinos jamais alcançaria o promotor, a versão seria mais aceitável se o carro da vítima já estivesse parado na hora da investida. A dúvida paira na seguinte pergunta, quem levaria um tiro, desarmado, e estacionaria para alguém que acabou de disparar uma espingarda calibre 12?
Mysheva afirma que para fugir dos tiros se jogou no chão e ficou acompanhando o vai-e-vem do carro do assassino, sempre girando de um lado para o outro, para não ser atingida. Como estes movimentos no chão não deixaram marcas na advogada, exceto por um arranhão no joelho?
É difícil crer nessa versão, pois, se o alvo era uma autoridade da cidade, creio que os assassinos não deixariam ninguém vivo para testemunhar, nem ela nem o tio, que afirmou ter sido visto pelos assassinos.
Se Mysheva diz não conhecer Edmacy, como pôde apontá-lo como atirador, ainda mais emmeio a um tiroteio do qual tentava fugir?
Ela repetiu as mesmas características do executor várias vezes. Em relação a apontar Edmacy como suspeito, não há o que questionar. Se ele é suspeito, tem que ser investigado. O ponto que nos causa intriga é o fato de ela ter reconhecido uma pessoa com a qual ela teve um contato, inclusive mais estreito, pois o tio do pai da Mysheva era casado com a tia do Edmacy. Sempre que havia evento relacionado aos tios, eles acabavam se encontrando. E se ela o reconheceu com tanta certeza, por que não foram identificados vestígios no Edmacy? E se ele estava na cena do crime, não poderia estar no centro da cidade de Águas Belas.
Em seu depoimento sobre o carro do assassino,Mysheva já apontou três modelos diferentes: Uno, Celta e Corsa. Todos esses carros são semelhantes, mas a variação de cores é o que nos deixa com inquietação. E outra coisa, ela afirmou em seu primeiro depoimento que a placa do carro havia sido anotada e que ela era da cor vermelha.
O carro de Edmacy, um Gol escuro, apresenta provas de ter estadona cena do crime, como estilhaços de bala ou vidro ou vestígios de pólvora?
Nenhuma prova contra Edmacy foi encontrada. A única fundamentação para a prisão dele foi o reconhecimento de Mysheva. Se Edmacy estivesse voltado para a cidade, como acredita a polícia, ele seria filmado pelas câmeras que flagraram o carro dos assassinos seguirem o promotor.
Se o carro de Edmacy não estava na cena do crime, onde estaria o carro do assassino? E as armas usadas, onde estão?
A defesa acredita que, assumindo a versão da Mysheva como verdade real, a polícia deixa de investigar outras possibilidades e os vestígios e provas do crime acabam se perdendo ou dificultando cada vez mais encontrá-los. Não estamos buscando identificar os autores, estamos demonstrando apenas que Edmacy é inocente.
Quem são as pessoas que viram Edmacy na manhã do crime e que podem inocentá-lo? Todas as declarações foram prestadas na delegacia. A polícia já tem vários depoimentos de várias pessoas afirmando que o Edmacy foi visto em vários locais dentro do percurso declinado em seu depoimento sem qualquer contradição.
Quem é o motorista do carro do assassino?
A defesa não vem buscando meios de identificar o autor, nem dispõe de recursos para isso, confiamos no trabalho da polícia.
Onde está Zé Maria?Não sabemos.

Se Mysheva estava sentada ao lado de Thiago no momento do crime, como o banco do carona estava tão sujo de sangue e nenhum fragmento de bala a atingiu?
Não observamos nada nos autos que demonstrasse em Mysheva algum vestígio ou resíduo derivado da investida contra o noivo, mas não acreditamos que ela estava ao lado de alguém que acabara de levar um tiro de 12 no pescoço e ainda teve condições de pronunciar a frase “Oh Mysheva” e estacionar o carro em meio ao acostamento de uma rodovia.
De que forma Mysheva deixou o local do crime?
Em relação a isso não houve contradição e as testemunhas foram uníssonas em afirmar a forma que ela deixou o local. Ou seja: que passou uma pessoa conhecida, falou com ela, ofereceu carona e a levou para o hospital.

Foi mencionado se a roupa dela estava suja de sangue?
Não consta nos autos.

A polícia estaria se calando porque a imprensa começou a entrar em uma nova linha de investigação que eles querem resguardar?
Muitas fichas foram usadas no sentido de buscar a verdade apresentada pela Mysheva, mas agora que a polícia se deparou com inúmeras perguntas e diversas questões que não ficaram claras, resolveram recomeçar a investigação e buscar aquilo que deveria ter sido feito desde o no início, considerando varias linhas de investigações, não descartando nenhuma hipótese. O silêncio da polícia hoje deve ser pela opinião pública caminhar em sentido contrário às declarações prestadas pela SDS.

Quais os próximos passos da defesa?
Trabalhamos no sentido de não ter a prisão temporária de Edmacy prorrogada. Vamos nos preparar para tudo, sem esquecer a pequena frase que escutamos no início de nossos trabalhos, pronunciada pelo suspeito (Edmacy) “Sou inocente e vou provar a minha inocência”. A defesa não deixará nenhuma brecha para suposições e não irá descansar enquanto não demonstrar que tudo não passou de um erro.

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