Luis Blanco/ Diário SP

O Sindpolf-SP (Sindicato dos Servidores da Polícia Federal de São Paulo) vai formalizar até sexta-feira uma denúncia no MPF (Ministério Público Federal) contra o Sindpf (Sindicato dos Delegados da Polícia Federal no Estado). Os agentes se revoltaram com um pedido feito à direção da PF, em Brasília, de apoio das Forças Armadas no desarmamento dos agentes envolvidos na paralisação nacional de 24 horas, que aconteceu nesta terça em todo o país.
A troca de farpas ficou evidente na Superintendência da PF em São Paulo, na Lapa. Em um ofício, o delegado Amaury Portugal pediu ao diretor -geral da PF, Leandro Daiello Coimbra, que medidas fossem “tomadas com todo o rigor e urgência no sentido de serem autuados disciplinar e penalmente os policiais que estiverem participando desses atos portando armas”. Em outro trecho do documento, o delegado solicitou a ajuda do Exército para desarmar os agentes. “Que seja solicitado o apoio das forças militares para varredura de armas dos manifestantes e suas prisões.”
Em resposta, o Sindpolf -SP afirmou que nenhum agente protestou com arma em punho. “Nunca fizemos manifestações armadas. Inclusive, eles falam em chamar o Exército para cuidar de uma manifestação pacífica. Ele vai ser rebatido no MPF”, ameaçou o presidente da entidade, Alexandre Santana Sally.
Ao DIÁRIO, Portugal informou que o pedido foi para proteger os delegados e a população. “São agentes do Estado que tem porte de arma. E se eu for lá agora e eles perderem a cabeça?”, questionou. Ninguém da Polícia Federal em Brasília quis comentar o assunto.
No ato, os policiais usaram camisetas pretas e máscara que cobriam parte do rosto. Eles diziam serem “black cops” (policiais de preto, na tradução livre), em alusão ao grupo “Black Bloc” que promove baderna e quebradeira nas manifestações de rua em todo o país. Os agentes chegaram a interditar uma das faixas da pista local da Marginal Tietê, sentido Centro. Estima-se que 200 pessoas tenham participado do ato, uma adesão de aproximadamente 30% da categoria. Os policiais, que pedem a restruturação da carreira, prometem novas paralisações nos dias 25 e 26.
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